quarta-feira, 22 de agosto de 2018

Conversa com Ingo Wulfhorst, autor de "Cura e fé: merecimento ou dádiva de Deus?"

Olá!

Hoje, para dar sequência à série de conversas com autores e autoras, trazemos a entrevista com Ingo Wulfhorst, pastor da IECLB e autor do livro "Cura e fé: merecimento ou dádiva de Deus?". 

Pastor Dr. Ingo Wulfhorst


Convidamos você a ler esta entrevista e conhecer um pouco mais sobre a obra, publicada pela Editora Sinodal:

Como surgiu a ideia de escrever este livro, sobre um assunto que é tão sensível para ser discutido, tanto no meio popular como no meio científico?

A gestação do livro “Cura e fé” foi um longo processo no meio popular e científico. Num bairro operário, há quase 50 anos, perguntaram-me durante um estudo bíblico: “Porque Jesus cura através da expulsão de demônios e muitas vezes cura sem expulsar demônios?” Auscultamos o Novo Testamento, continuei a pesquisar e respondo a pergunta no segundo capítulo do meu livro.
Durante decênios vivenciei cura e fé durante o meu trabalho pastoral e acadêmico, e este assunto foi um dos três eixos da minha tese de doutorado. Realizei muitas palestras em comunidades, em cursos de pós-graduação e várias vezes solicitaram publicar um livro sobre o assunto. Relutei, porque é um tema muito sensível e multifacetado. Mas a minha esposa Dorothea e o meu amigo pastor Robson Luís Neu da Editora Sinodal animaram-me com preciosas sugestões, e aos 74 anos de idade elaborei este meu décimo livro.

A questão do título do livro, se a cura acontece por merecimento ou é uma dádiva de Deus, provoca uma reflexão sobre o tema.

Na época de Jesus Cristo a doença era interpretada como pagamento de pecados pessoais e merecido castigo de Deus. Eram considerados impuros e, por isso, em muitos casos, excluídos da convivência religiosa e social. Em oposição total a esta interpretação, Jesus cura, perdoa os pecados e salva, por graça de graça, incluindo os excluídos novamente na convivência religiosa social. Cura, perdão e salvação são dádivas de Deus. Isto é um escândalo inaceitável para os líderes religiosos; eles conseguem que Jesus seja condenado à morte. O que significa isto para nós hoje? Respondo esta pergunta no primeiro capítulo do livro e cito uma parte de um testemunho de um cadeirante: “Hoje de manhã, no culto, eu experimentei uma cura e libertação bem diferente e maravilhosa ao ouvir que Deus não está me castigando com minha doença ou colocando minha fé à prova por ser cadeirante. Agora eu estou curado de sentir-me pagando meus pecados por não poder caminhar. Eu achava que eu não merecia o amor de Deus por ser cadeirante. Agora eu sei que Deus tem um amor muito especial e muita misericórdia exatamente para mim. A palavra de Deus, conforme o apóstolo Paulo, me confortou muito hoje de manhã e vai me acompanhar sempre: A minha graça lhe basta, porque o poder se aperfeiçoa na fraqueza. Estou bem animado e terei força para continuar a servir a Deus na comunidade e onde eu puder, pois agora sei que como cadeirante sou amado por Deus!”.

Você acredita que pensar positivamente, aceitar a si mesmo e ter fé/confiança em Deus pode evitar doenças e auxiliar no processo de cura de uma enfermidade?

Sim, está comprovado cientificamente que a espiritualidade vivenciada numa comunidade religiosa tem influência positiva sobre a saúde e auxilia na cura de uma enfermidade, por exemplo:
  • Quem frequenta semanalmente o culto, lê a Bíblia e ora em casa, apresenta 40% de risco menor de sofrer hipertensão, e o perigo de sofrer uma isquemia cerebral ou um enfarto fica reduzido.
  • Quanto mais religioso é um paciente, tanto mais depressa ele se recupera de depressões oriundas de cardiopatias, isquemias e outras doenças crônicas.
  • Quem participa regularmente do culto tem maior imunidade.
  • Para pacientes de doenças mentais, que frequentam o culto com seus familiares, o risco de serem novamente internados é sensivelmente mais reduzido.

O livro traz entrevistas sobre a relação entre cura e fé, sob diferentes perspectivas. Quais são as principais lições que podemos levar destas entrevistas?

Eu aprendi que, além dos exames preventivos da medicina acadêmica, é fundamental a prevenção e a manutenção da saúde através da medicina natural. Vale a pena ler as entrevistas sobre cura e dicas concretas para a prevenção, não somente a nível pessoal, mas em termos comunitários numa igreja do cuidado. O aspecto comunitário é muito importante para não incorrermos no erro de querer usar a fé como um remédio. Por isso trabalho no primeiro capítulo o inter-relacionamento entre fé cristã e cura. As entrevistas testemunham que Deus continua a curar e fazer milagres hoje através da medicina natural e acadêmica.
Na entrevista com uma psicóloga é ressaltado que a espiritualidade e a fé favorecem o perdão no sentido de facilitar a libertação de sentimentos negativos e desafetos, devolvendo a ambas as partes o direito de ser livre e feliz. O perdão pode curar a alma e também agir terapeuticamente sobre o corpo, quando conseguimos desamarrar o nó de mágoa e rancor através do perdão.
No final do livro temos entrevistas muito preciosas de pessoas que não foram curadas, respondendo à pergunta “E se eu não fui curado?”.

Se você tivesse que resumir sua obra em uma frase, qual seria?

Por graça e de graça Jesus cura algumas pessoas como sinal concreto do despontar do Reino de Deus, no qual não haverá doença nem morte, e ele nos convida a participar da missão curadora e salvífica de Deus.

O que significou para você trabalhar com a Editora Sinodal?

Foi muito bom trabalhar com uma equipe muito eficiente. Objetividade e, ao mesmo tempo, amabilidade. Valeu!


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Até a próxima!



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