quarta-feira, 17 de dezembro de 2014

Natal é doação

http://www.guamareemdia.com/?p=17450
   Todos nós gostamos de falar do Natal como quem acaricia uma emoção. Ele aparece em nosso coração feito prece. É um assunto de berço. Até crianças falariam super bem do Natal, porque o Natal cresce na boca das crianças.
   Todos falariam das figuras humanas que compõem o cenário natalino: um menininho, sua mãe Maria, seu pai José, os pastores e os reis magos: Baltasar, Gaspar, Melchior.
   Todos falariam do encantamento das asas e das vozes dos anjos cantando “Glória a Deus nas alturas e paz na terra às pessoas de boa vontade”.
   Todos falariam da cristianização dos animais que a tradição recolheu na gruta para celebrar aquela noite: a vaquinha, o burrico, as ovelhas dos pastores, talvez alguma ave doméstica (com certeza o galo do João Cabral para tecer aquele manhã universal mais luminosa que as outras).
   Todos falariam das luzes, das estrelas, das palhas da manjedoura e muitos outros símbolos que a piedade cristã introduziu: pinheirinhos, presépios, luzes, velas, guirlandas, neves, trenós etc.
   Todos falariam da alegria de ver a família reunida trocando abraços e presentes, na confirmação da amizade mais viva.
   Pois, eu vou falar de alguém que nunca é mencionado quando se fala do Natal: o homem que negou hospedagem a José e Maria. Julgo que se chamava Caifaz. Digo que foi homem, e não mulher, porque, se fosse mulher, certamente ela acharia, em seu coração, um cantinho de ternura maternal.
http://blog.cancaonova.com
   Poderíamos achar muitas desculpas para inocentá-lo. Poderia ser viúvo, por exemplo, ou separado. Não, separado não. Acho que não havia essas fragmentações na época. Poderíamos dizer que estivesse mal-humorado, cansado por ter trabalhado muito naquele dia. Poderíamos, até, aceitar que tenha dito que não havia lugar por engano. Mas esqueceu que sempre sobrariam seus próprios aposentos, se quisesse.
   É essa opção egoísta que eu denuncio. Essa escancarada falta de doação. O que ele fez foi exatamente o contrário do que faria o Menino de Belém, doando-se à humanidade, naquela noite de Natal, sem ter escolhido um lugar predeterminado, para que essa escolha fosse o lugar de todos. Só quem vive com o coração aberto para os outros é capaz de achar lugar para Deus.


Texto extraído do livro Celebrar Natal em Família, P 66 

quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

Natal


Presépio do Chile 
Jesus nasceu. Na abóbada infinita 
 soam cânticos vivos de alegria; e toda a vida universal palpita
dentro daquela pobre estrebaria...
Não houve sedas, nem cetins, nem rendas
no berço humilde em que nasceu Jesus...
Mas os pobres trouxeram oferendas
para quem tinha de morrer na cruz.
Sobre a palha, risonho e iluminado
pelo luar dos olhos de Maria,
vede o Menino-Deus, que está cercado
Presépio da Tanzânia 
dos animais da pobre estrebaria.
Nasceu entre pompas reluzentes;
na humildade e na paz deste lugar.
Assim que abriu os olhos inocentes,
foi para os pobres seu primeiro olhar.
No entanto, os reis da terra, pecadores,
seguindo a estrela que ao presépio os guia,
vem cobrir de perfumes e de flores
o chão daquela pobre estrebaria.
Sobem hinos de amor ao céu profundo:
Presépio do Peru


Homens, Jesus nasceu! Natal! Natal!
Sobre esta palha está quem salva o mundo,
quem ama os fracos, quem perdoa o mal.
Natal! Natal! Em toda a natureza
há sorrisos e cantos, neste dia...
Salve Deus da humildade e da pobreza,
nascido numa pobre estrebaria.

Olavo Bilac (1865-1918)







 Texto extraído do Livro Celebrar Natal em família e comunidade, P.71
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quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

Natal

Natal é tempo de reflexão, 
é tempo de se aproximar do presépio,
de se deixar inspirar por Maria e José, 
de adorar o Deus-menino 
como reis do oriente 
e de cantar de alegria como os anjos do céu.

Tire um tempo neste Natal 
e se aproxime do presépio...
Nele você encontra a fonte 
da esperança e do amor:
Jesus Cristo, o Deus –menino, 
o Emanuel, Deus conosco 
o Príncipe da Paz 
o Caminho, a Verdade e a Vida!


Feliz tempo de Natal!!!



Texto extraído do Livro presente Natal é Cristo que vem, contra-capa
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quarta-feira, 26 de novembro de 2014

Selbst

O Selbst é um conceito multifacetado, definido de modos diferentes pelas diversas teorias que o utilizam. Na teoria psicanalítica, nós o entendemos como o centro propriamente dito da personalidade, o lugar das autorrepresentações, da identidade própria, um sistema que regula a vivência do autovalor. Pressuposto para uma autoestima estável é a experiência de ser aceito incondicionalmente pelo pai e pela mãe ou por outras importantes pessoas de referência e de ser valorizado por causa de si mesmo.
Nesse sentido, exatamente a fé religiosa, a mensagem bíblica e os atos sacramentais podem ter um efeito pronunciadamente estabilizador sobre a vivência do autovalor. A asseveração do perdão e da graça, bem como a incondicional aceitação divina podem contrabalançar muitas decepções e traumatismos da autoestima sofridos dos referenciais sociais e representar um antípoda construtivo. Não se pensa aqui – em vista de uma realidade presente desolada – num consolo barato com um “além melhor”, mas trata-se de uma experiência que se experimenta e que cresce na fé e de uma certeza da aceitação divina incondicional.
Deve-se levar em conta que a autoestima pode não só ser estabilizada por conteúdos religiosos, mas também minorada e até gravemente danificada. Isso vale para quando as aspirações do ideal do ego são elevadas a um patamar extremamente alto ao se reportarem a conteúdos religiosos e um superego no sentido mais estrito francamente sadista, fazendo questão do cumprimento rigoroso de um sistema de normas religioso severo, exerce uma pressão enorme sobre a pessoa e a confronta permanentemente com sua incapacidade.
Fica claro como é importante que a autoestima de cristãs e cristãos não seja ferida, mas fortalecida por instâncias e grupos eclesiásticos, até porque a mensagem bíblica oferece uma profusão de possibilidades de confirmar as pessoas em sua maneira de ser e assegurar-lhes a aceitação divina incondicional. Tais experiências naturalmente podem e devem ser feitas na comunidade, quando se vivencia também nela a atenção e aceitação incondicionais, isto é, a comunhão no sentido autêntico. No caso dos membros de comunidade que desenvolveram uma autoestima um tanto estável, os pastores e outros representantes da igreja podem dar uma contribuição essencial para a estabilização do respeito próprio e da autoaceitação, usando positivamente as possibilidades inerentes à mensagem bíblica, aos atos sacramentais e à vida comunitária e, desse modo, favorecer a estabilização da personalidade.

Texto extraído do livro Quem cuida da alma, P. 61
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http://www.editorasinodal.com.br/produto/329416/quem-cuida-da-alma-controle-de-fronteiras-entre-psicoterapia-e-poimenica



 







quarta-feira, 12 de novembro de 2014

Superego

                                
Conforme o modelo de instâncias da psicanálise, o superego representa outro módulo da personalidade humana. Nele estão armazenadas as normas sociais e as noções de valor que incidem sobre nós desde a mais tenra infância até a idade adulta e que determinam de modo decisivo nosso pensar, sentir e agir. Enquanto na fase inicial do desenvolvimento infantil se trata, antes de tudo, de impressões da relação entre pai/mãe e criança, na vida posterior o superego é ampliado e modificado pelas experiências que fazemos com nosso entorno mais próximo e com o mais amplo. Dessas experiências fazem parte as influências sofridas nas relações com pessoas de referência que para nós são emocionalmente significativas (professoras, pastores, parentes, amigos), mas também influências advindas de correntes políticas, sociais, culturais e religiosas.
Todavia, é preciso que estejamos bem conscientes do fato de que a formação de uma consciência religiosa autônoma também pode, às vezes, lançar a pessoa em consideráveis conflitos. As confissões e comunidades de fé cristãs possuem diferentes graus de sistemas de normas e valores, em parte predeterminando muitos aspectos do cotidiano, dos relacionamentos e do modo de tratar a própria pessoa, que, para os seus membros, representam exigências a serem cumpridas incondicionalmente.
A mensagem bíblica e a experiência de fé podem contribuir para uma estabilização do ideal do ego na medida em que elas libertam a pessoa da pressão de achar que tem de alcançar tudo por seu próprio esforço e perfeição. Estar ciente da fragilidade da existência humana, como descrita seguidamente pelos textos bíblicos com imagens sempre renovadas, e confiar-se na fé ao poder divino, possibilita que o ser humano religioso reduza a um nível realista suas pretensões e as expectativas em relação a si próprio. Isso de modo algum se refere à postura cômoda do “eu estou ok”. Ideais – em última análise, inalcançáveis – sempre continuarão a pairar diante dos nossos olhos. Porém, mediante um ideal do ego mais próximo da realidade, eles perdem seu caráter premente, que desmerece o envolvido ao não serem realizados. Um ideal do ego maduro, orientado na realidade, constitui para o ser humano uma coordenada útil, que lhe mostra a direção a seguir e representa justamente em fases difíceis da vida uma força revigorante que propicia esperança.

Texto extraído do Livro Quem cuida da alma, p. 59
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quarta-feira, 29 de outubro de 2014

Quem era Lutero?


Lutero era um monge e professor universitário que nem sequer podia ser designado de chefe de partido. Mesmo assim, na França, na Itália, na Inglaterra e na Espanha, quem pretendesse inovar era designado de “luterano” ou adepto da “seita” luterana. Ele próprio voltou-se contra a designação “luterano”: “O que é Lutero? A doutrina não é minha... Como eu, pobre e fedorento saco de vermes, poderia designar os filhos de Cristo com meu desgraçado nome? Nada disso, caros amigos, eliminemos os nomes partidários e designemo-nos de cristãos, do qual temos o ensinamento”.
Quando Lutero ficou sabendo de algumas das últimas resoluções de dietas e das ameaças imperiais, ele se sentiu ameaçado e manifestou-se: “Bem, meus queridos príncipes e senhores, vocês buscam apressar a morte de minha pobre pessoa, e quando isso tiver acontecido, serão vitoriosos. Mas, se vocês tivessem ouvidos para ouvir, eu lhes contaria algo peculiar. Como seria se a vida de Lutero valesse tanto diante de Deus que, caso não estivesse vivo, nenhum de vocês estivesse seguro de sua vida ou governo e que sua morte significasse desastre para todos vocês? Não é bom fazer piada com Deus. Continuem! Enforquem e incendeiem! Não vou cair fora, se Deus o permitir. Estou aqui e vos peço cordialmente, quando tiverem me matado, não voltem a me ressuscitar e a matar mais uma vez. Como vejo, Deus não me pôs a negociar com gente razoável, mas bestas alemãs devem me matar”.
Lutero diz estar pronto para morrer, mas, apesar de todos os editos, já está com três anos de sobrevida. Ameaça os príncipes bêbados com o juízo divino: “O que quereis, amados senhores? Deus é por demais sábio para vocês; logo vos terá transformado em palhaços. Ele também é por demais poderoso; logo vos terá liquidado”.
É nessa situação que Lutero vai enfrentar a maior crise de sua vida. E está despreparado. Até agora, a Palavra evidenciara--se maior do que todos os poderes. O papa já não mais dominava a Alemanha; o edito imperial não vingara. Agora, a Palavra batia contra muros mais fortes. Lutero não percebeu o que acontecia. O mundo havia sido modificado nos últimos três anos; mais três anos, o papado terá findado. Deus poderia pôr um fim aos príncipes que se voltavam contra o evangelho mais rapidamente ainda. Lutero não se valia da história nem da política, mas de imagens da Bíblia. Naqueles dias, estava traduzindo os profetas. Eles diziam que Deus enviaria temporais que arrebentariam rochas, terremotos, fogo. Reis e senhores confabulavam contra a palavra de Deus, mas “tu os destruirás com cetro de ferro, como vasos os arrebentarás”, lia no Salmo. No curto espaço de um ano, o mundo de Lutero seria novamente transformado, e as esperanças que se avolumavam em torno de sua pessoa seriam destruídas.

Texto extraído do Livro De Luder a Lutero, P. 214
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http://www.editorasinodal.com.br/produto/337698/de-luder-a-lutero




sexta-feira, 17 de outubro de 2014

Pai, Filho e Espírito Santo

   Porque assim como o Pai é chamado Criador; o Filho, Redentor; assim o Espírito Santo, em razão de sua obra, deve chamar-se Santo ou Santificador. Mas como se realiza esse santificar? Assim como o Filho obtém o domínio, pelo qual nos conquista através de seu nascimento, morte, ressurreição, da mesma forma o Espírito Santo efetua a santificação por intermédio da congregação dos santos ou igreja cristã, do perdão dos pecados, da ressurreição da carne e da vida eterna. Primeiro nos conduz à sua santa congregação e nos põe no seio da igreja, pela qual nos prega e leva a Cristo.
   Porque nem tu nem eu jamais poderíamos saber algo a respeito de Cristo ou crer nele e conseguir que seja nosso Senhor se o Espírito não no-lo oferecesse e presenteasse ao coração pela pregação do evangelho. A obra foi feita e está completada; pois Cristo nos obteve e conquistou o tesouro. Se, porém, a obra ficasse oculta, de forma que ninguém soubesse dela, seria vã e perdida. Ora, para que esse tesouro não ficasse sepulto, mas fosse aplicado e fruído, Deus enviou e fez proclamar a Palavra e nela nos deu o Espírito Santo, a fim de fazer-nos ver tal tesouro e redenção e torná-lo propriedade nossa. 


Texto extraído do livro Martin Lutero: Discípulo- testemunha- reformador
P.14

quarta-feira, 8 de outubro de 2014

A importância da comunidade

A tradição judaico-cristã, mas também outras religiões e credos desde sempre enfatizaram de modo especial o aspecto da comunidade. Mesmo que a fé religiosa e o confronto com conteúdos religiosos sejam algo bem pessoal, a vida religiosa, assim como a vida em geral, sempre tem lugar no campo de tensão entre indivíduo e sociedade circundante. Sendo um ser social, o ser humano depende da relação com outros seres humanos desde o início de sua vida até sua morte e precisa também do interlocutor humano junto dele para definir a si mesmo e conferir forma à sua identidade bem individual. Essa é uma dimensão fundamental da nossa existência que o filósofo da religião Martin Buber (1958) circunscreveu com as seguintes palavras: “Eu me torno eu em vista do tu; tornando-me eu, digo tu. Toda vida real é encontro” (p. 15).
A citação de Buber permite reconhecer que a sociedade circundante desempenha um papel central na formação definitiva da personalidade. No contexto religioso, a comunidade de fé desempenha um papel essencial, na medida em que, nela, o indivíduo pode fazer experiências de um tipo especial e de grande intensidade que transcendem as experiências feitas em outros grupos sociais.

 Na comunidade religiosa, a pessoa que adere a ela encontra um círculo de pessoas com a mesma mentalidade, que confirmam e, desse modo, fortalecem sua própria concepção. Como indica a citação de Buber, nós seres humanos desenvolvemos nossa identidade essencialmente a partir do modo de relacionar-nos com outros seres humanos e das suas reações a nós. Assim sendo, parcelas essenciais da nossa identidade religiosa surgem de espelhar- -nos em pessoas com a mesma mentalidade e, desse modo, formar, fortalecer e modificar nossas convicções interiores. Nesse aspecto, cabe à comunidade religiosa uma função importante no sentido de conferir uma forma geral e fortalecer a personalidade.
A comunidade religiosa cumpre outra função importante ao proporcionar aos seus membros a vivência da solidariedade. Exatamente na nossa época com sua atmosfera no âmbito profissional marcada em alto grau pela rivalidade e com seu grande potencial conflitivo tanto no contexto privado como no contexto da sociedade como um todo é importante para o indivíduo ter um lugar no qual se pode experimentar antes de tudo solidariedade e apoio mútuo. Tal experiência não só tem efeitos positivos sobre o desenvolvimento da fé, mas de modo geral se reveste de grande importância para o bem-estar psíquico do indivíduo.






Texto extraído do Livro Quem cuida da alma, p. 57
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quarta-feira, 24 de setembro de 2014

O que a psicologia e a psicoterapia podem oferecer à igreja?

A primeira resposta genérica à pergunta pelo que nós, enquanto representantes da psicologia e psicoterapia, teríamos a “oferecer” às igrejas é esta: podemos informá-las sobre nossos conhecimentos modernos na área das ciências humanas e, desse modo, municiá-las com possibilidades de interpretar e transmitir a mensagem bíblica de um modo que faça jus à nossa época e às pessoas de hoje, de entender e assim ser capaz de melhorar a solução de conflitos nas comunidades e em grêmios eclesiais, de adquirir o know-how psicológico para aconselhamentos e acompanhamentos poimênicos e, desse modo, realizar um trabalho mais eficiente, bem como de adquirir concepções com as quais as estruturas eclesiais podem ser examinadas e questionadas criticamente quanto à dinâmica nelas atuante visando tornar a igreja (novamente) um lugar do encontro sem preconceitos e do tratamento mútuo amoroso e aproximar o evangelho das pessoas de hoje de tal modo que possam aceitá-lo em toda a sua plenitude. Como mostra essa enumeração, que nem de longe é exaustiva, essa resposta genérica necessita ser especificada. 

Texto extraído do Livro Quem cuida da alma? p.56
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quarta-feira, 3 de setembro de 2014

Divisão na essência de Deus


    A exposição da forte ambivalência presente em Lutero não ajuda a fazer avaliações fáceis de sua vida e teologia. A religiosidade moderna privilegia um meigo Jesus amigável sobre um severo Deus punitivo. Até os luteranos que ajam de uma maneira que corresponda à vontade de Deus – ao segundo uso da lei, que acusa os seres humanos se seus pecados. Porém, se pensamos sobre as várias dimensões de um mundo que está longe de ser perfeito, um mundo que diariamente é mergulhado na violência e degradação, então temos de admitir que os lados escuros da realidade precisam ter um lugar em nossa imaginação religiosa.
   O diabo talvez não seja o candidato favorito das teólogas e teólogos modernos para configurar uma imagem religiosa mais robusta do mundo em relação a Deus, mas algumas tradições cristãs contemporâneas de fato levam o diabo em consideração em suas ontologias. Com o diabo ou sem ele, a teologia moderna tem de levar a sério a questão do estabelecimento de uma relação da profunda aflição e dos poderes demoníacos do mundo com Deus. Não é fácil encontrar uma terminologia responsável e articular conceitos adequados para experiências dos aspectos ameaçadores e esperançosos da realidade. As várias maneiras que Lutero propôs para integrar os dois lados talvez não resistam ao teste do tempo presente, mas sua articulação do problema é, pelo menos, um bom ponto de partida. Deus deve ser concebido em relação à realidade que ele determina através de seu poder. Lutero não teve medo de se confrontar com essa relação, chegando inclusive ao ponto de fazer algumas afirmações perigosas sobre Deus e os inimigos de Deus. Nossa tarefa teológica contemporânea é levar, corajosa e criticamente, as importantes questões de Lutero um passo adiante.  

Texto extraído do Livro Lutero um teólogo para tempos modernos, P. 112
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quarta-feira, 20 de agosto de 2014

Eis-me aqui Senhor!

Disponibilidade e missão
 
http://moradadapaz.wordpress.com
 A disponibilidade afeta diretamente a missão. A igreja é composta por pessoas diferentes e talentosas (umas mais do que as outras). Sua capilaridade tem um potencial imenso de penetração na sociedade. Se cada cristão em sua época e lugar estiver disponível para Deus, a missão de Deus (missio Dei) que restaura e transforma será uma realidade. Para isso se requer a disponibilidade dinâmica, altamente missionária.
   É certo que um cristão que se dedica ao trabalho, à família, à congregação, aos amigos gozará de bom testemunho da comunidade. Mas isso não é suficiente. Fazer o bem é uma ''obrigação'' do cristão. Não deve esperar ser recompensado ou reconhecido por isso. Alguns dão ''testemunho'' de que abandonaram uma vida de imoralidades e perversidades. Mas isso ainda não atende as exigências do evangelho jesuânico. Seguir Jesus implica renunciar também a algumas coisas boas, lícitas e até agradáveis.
   A disponibilidade dinâmica (humana mais a divina) faz com que o cristão se submeta a Deus, fazendo aquilo que normalmente não faria. Às vezes, implica andar a segunda milha ou doar a capa. É mais do que fazer o que se pede. ''Eis-me aqui, Senhor'' assume fazer o que nos manda, mesmo quando não queremos. É estar atento à necessidade do outro com vistas e supri-la. E isso pode ser feito via programas da igreja local, engajamento no chamado terceiro setor ou iniciativas pessoais. O Espírito santo descortina novos caminhos. Vamos necessitar de sensibilidade e discernimento.
http://blog.comshalom.org
   A atitude de estar disponível é em si missionária. O sujeito está atento, preocupado, sensibilizado com o outro, disposto a acolher e compartilhar. Acredito que, se as casas de formação teológica e ministerial se preocupassem mais em devolver essas qualidades, estariam contribuindo melhor para a missão de Deus. A preocupação excessiva com os livros e com o pensamento racionalista fragmenta o saber e reduz a capacidade de tocar as pessoas, as culturas e a sociedade.
    Jesus nunca escreveu um livro. Seus ditos foram registrados textualmente quase quarenta anos após sua morte. No entanto, sua disponibilidade assim como o seu estilo de vida foram mais eloquentes e instrutivos do que as maiores biblioteca do mundo. Jesus entregou-se, dispôs-se. Fez a opção de amar e servir a humanidade e, por conta desse amor, aceitou o caminho da cruz. Sua morte não foi escolha própria ou mesmo a ''vontade'' de Deus, mas resultado da maldade dos seres humanos. Mas, ainda assim, mostrou-se disponível. Não só quando quando convinha, mas mesmo quando desejava não beber aquele cálice.

   A disponibilidade do cristão é uma forma de missão. É esta uma chave missionária para o mundo contemporâneo: colocar-se ativamente ao dispor do Senhor da seara no serviço ao próximo. O chamado já ocorreu; agora falta nossa resposta positiva e decidida pela vontade de Deus. O menino Samuel inspira maus uma lição. Ele ensina a colocar-se em prontidão, ''ouvindo'' (3.10). Em linguagem cristã, ele se percebe enviado por Deus em missão. Que nossa disponibilidade nos impulse justamente a isto: participar da missão de Deus. Para isso fomos chamados; para isso fomos salvos.  

Texto extraído do Livro Eis-me aqui Senhor! , P. 61 e 62
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quarta-feira, 6 de agosto de 2014

Eis-me aqui, Senhor!

   Mais importante do que ouvir a voz de Deus é responder positivamente a seu chamado. Se conhecer a Deus implica obediência, suspeitamos de que muitos cristãos ainda não o conhecem.
   Deus nunca deixou de se comunicar com a humanidade. Ele sempre falou. Os homens, por sua vez, sempre buscaram caminhos para encontrá-lo.
   O primeiro desafio, então, é distinguir sua voz. Reconhecê-la. O segundo é atendê-la. Tão importante quando ouvir Deus é obedecer-lhe. Em alguns casos, é o esperado. Não há sentido em falar com uma pessoa que não está disposta a obedecer. Em outros, evidencia nosso reduzido espaço destinado a Deus, limitando seu agir em nós.
   Estando em uma situação de desobediência, o mais indicado não é perguntar pela vontade de Deus. Antes é preciso retomar e refletir sobre a última vez em que estivermos nossa vontade. Perceba que a atual situação não é coerente com o chamamento recebido. Retorne à condição de discípulo e ponha sentido no que já recebeu de Deus, para que ele manisfeste novos elementos de sua vontade. Em um estado de desobediência, não haverá voz de Deus.
   Outros até ouvem a voz de Deus, mas não se comprometem. É comum orarem ou cantarem “eis-me aqui”. Mas, no dia a dia clamam para que Deus envie substitutos a seu trabalho. “Eis-me aqui!”, mas “envie o outro”. Supostamente, o pastor está melhor preparado ou os líderes teriam essa incumbência. Sempre o outro. Parece que nunca chega a vez dessas pessoas. Isso não é responder positivamente a Deus; ao contrário, é terceirizar o chamado recebido. É isso o que o Deus espera? Não. Ele conta com cada um na vocação em que foi chamado.


Texto extraído do livro Eis-me aqui Senhor! P. 23 
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quarta-feira, 16 de julho de 2014

Aprender e Brincar volume 7

Tudo é de todos

   Você já ajudou alguém que estava em dificuldades? Você já doou um brinquedo? Alimentos ou roupa? É bem provável que sua mãe já tenha doado roupas suas, calçados, alimentos e outros materiais. Ajudar pessoas sempre fez parte da história do povo de Deus.
   As primeiras comunidades cristãs, aquelas que surgiram logo depois da morte e ressurreição de Jesus, também viveram e experimentaram a solidariedade. Vamos conhecer a história de José.
   Eu sou José, meus amigos também me chamam de Barnabé, que significa “aquele que dá ânimo”. Não conheci Jesus pessoalmente, mas ouvi e conheci tudo sobre ele pelas histórias contadas pelos apóstolos e por seus seguidores. Todos na minha comunidade creem e aceitam Jesus em seu coração. Acreditam firmemente que tudo aquilo que foi contado pelos apóstolos é verdadeiro.
   E algo muito especial estava acontecendo. Eu, minha família, amigos e a comunidade não apenas acreditávamos em Jesus, mas também tentávamos viver o amor que ele havia ensinado e partilhado. Nós já sabíamos que Jesus havia vindo para mudar a história das pessoas. Ele não queria mais dor, nem sofrimento, tanto é que ajudou muitas pessoas devolvendo-lhes a saúde. Ouvindo essas histórias da vida de Jesus e agradecendo a Deus por ele, compreendemos que, se Jesus mora em nosso coração, cabe também a nós agir de igual modo. Assim, em nossa comunidade, nós todos nos ajudamos. Ajudamos as pessoas que têm fome, as que não têm roupas, as que estão doentes. Tudo o que temos é de todos. Aqui nós partilhamos tudo, e assim percebemos que somos ricos, pois todos têm muito amor para dar.
   Eu percebi que esse trabalho dos meus amigos apóstolos era muito importante e decidi vender um terreno. Outros amigos também fizeram isso. Dei aos meus amigos todo o dinheiro dessa venda para que eles pudessem seguir viagem para outros lugares e falar para outras pessoas sobre Jesus e seu amor. Nós ficaremos aqui, orando por eles e desejando que muitas pessoas venham a crer e a viver da mesma forma, repartindo, doando e partilhando tudo o que têm com quem precisa, porque, afinal, tudo é de todos.
                                                                                                      História baseada em Atos 4.32-37



Imprima a atividade e divirta-se!!!!!



Texto extraído do Livro Aprender e Brincar volume 7, P. 4 e 5
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http://www.editorasinodal.com.br/produto/307181/aprender-brincar-volume-7







quarta-feira, 2 de julho de 2014

Aprender e brincar vol 7

A valiosa ajuda dos amigos
Certo dia, Jesus entrou num barco e remou até o outro lado do lago, onde ficava sua cidade. Assim que ele desembarcou na areia, muitas pessoas correram para ficar perto dele.
Jesus já havia ajudado muita gente. As pessoas já conheciam suas curas e milagres, por causa disso muitas o seguiam. Algumas pessoas queriam tocá-lo, olhar para ele, outras queriam falar de sua vida e seus problemas. Muitas pessoas buscavam cura, mas também havia aquelas que desejavam apenas ficar perto dele e ouvir o que ele ensinava. Jesus, então, olhou para todas com atenção e carinho. Conversou com algumas, deixou-se tocar, mas, de repente, enquanto ele olhava para a multidão, algo chama sua atenção. Um grupo de pessoas está carregando alguma coisa num grande lençol. O que será? – pensa Jesus. Ele se aproxima do grupo e vê um homem que não conseguia caminhar deitado dentro do lençol. Suas pernas estavam duras. O homem não podia se mover, era paralítico.
Esse homem também havia ouvido falar de Jesus, mas sozinho jamais poderia chegar perto dele. Graças à ajuda de seus amigos, ele foi carregado até Jesus. Quando Jesus viu as pessoas trazendo esse homem, ele ficou muito feliz. Que bom que existem pessoas boas que se preocupam com outras. Pessoas que visitam e ajudam as que estão doentes, pessoas que ficam perto daquelas que estão tristes, pessoas que repartem a comida com aquelas que têm fome. Jesus percebeu a grande fé desses amigos e olhou com carinho e cuidado para aquele homem paralítico. Jesus o tocou e o convidou a se levantar. Disse-lhe que tudo o que ele havia feito de errado agora estava perdoado.
Contudo, Jesus percebeu que algumas pessoas estavam cochichando e falando mal do que ele estava fazendo. Jesus ficou zangado e perguntou:
O que é mais fácil dizer: Você está perdoado ou levante-se e ande? Pois eu digo a esse homem levante-se, pegue sua cama e vá para casa!
O homem levantou-se, pegou sua cama e foi para casa. Algumas pessoas que viram isso ficaram espantadas, mas agradeceram a Deus por Jesus ter o poder de ajudar e curar.


História baseada em Mateus 9.1-8


Imprima a atividade e divirta-se!!!!



Texto extraído do livro Aprender e brincar volume 7, P. 10 e 11
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quarta-feira, 18 de junho de 2014

Desafios educativos familiares e as novas tecnologias

http://cronicasdofrank.blogspot.com.br/
    Embora a vivência da maternidade e da paternidade seja acompanhada de muitos momentos prazerosos, de encantamento e realização, ser pai ou mãe não é uma tarefa fácil. Há ainda quem diga que ser mãe ''é padecer no paraíso''. A verdade é que as crianças não vêm acompanhadas de um manual de instruções, e pais e mães são tomados constantemente por muitas dúvidas quanto à forma de educar seus filhos. Essa tarefa se torna um desafio ainda maior se considerarmos a rápida evolução de nossa sociedade, o excesso de informações que recebemos e as transformações constantes no mundo em que vivemos. Para pais que nasceram na época da TV em preto e branco e dos telefones de parede, é num tempo em que a velocidade é o que define a comunicação, a educação e até mesmo as relações entre as pessoas. A própria linguagem se modifica, absorvendo a nova realidade, e assim passamos a viver num mundo de blogs, chats, e-books, torpedos e muitas senhas. Se não é fácil viver neste mundo atual, caracterizado por mudanças, globalização, virtualidade e muitos outros processos bastante complexos e que exigem de todos nós uma constante atualização, mais difícil ainda é educar filhos nesta sociedade em transformação permanente.
http://www.wsiconsultores.com.br/
   Muitos pais tentam alcançar um modelo perfeito me educação, nunca encontrado, pois se sabe que ser pai ou mãe significa experimentar, errar, refazer, buscar novas opções, refletir e tentar acertar constantemente. Ou seja, o percurso para atingir o sucesso nas funções parentais é construído a cada dia e não há uma linearidade ou um modelo correto de educação, tão frequentemente procurado por pais e educadores. A educação dos filhos é algo bastante complexo e dinâmico, por isso uma mesma forma de educar pode não ser adequada para uma ou mais situação, pois depende de características dos próprios pais, dos filhos, do contexto em que estão inseridos e das características do momento em que vivem.


Texto extraído do livro Família & Internet, p. 33
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quarta-feira, 4 de junho de 2014

Perspectivas de futuro

http://bereianos.blogspot.com.br
    A humanidade está em dívidas com a visão de um mundo sustentável. O atual sistema econômico, por exemplo, globalizado e fixado nas leis do livre mercado, produz crescente desemprego. Estaria na crise do trabalho um indício da iminente falência do capitalismo? A indústria automatizada já não absorve a avalanche de mão de obra disponível.    A solução seria o crescimento, no qual todos apostam. Ora, desenfreada expansão econômica e cuidado ambiental são princípios incompatíveis. Qual a saída do impasse?
   A geração de sentido requer sustentabilidade de economia e política, como, aliás, também da religião, das culturas, da filosofia. Serão necessárias profundas mudanças sistêmicas para garantir essa meta. Não há como alimentar um sentido, enquanto o futuro estiver bloqueado.
   Em tempos recentes fala-se muito em qualidade de vida. Todos querem uma vida boa, com conteúdo, isenta dos perigos que ameaçam a existência humana. É importante reenfatizar que sem a afirmação de um sentido inerente às coisas e à vida como tal, esse nobre objetivo
se corrompe. Qualidade de vida fundamenta-se em vida com sentido. E a Bíblia acrescenta serem a fé, a esperança e o amor, esses três (1Co13.13), os pressupostos indispensáveis para tanto.


Texto extraído do Livro Sabedorias da fé, P. 19
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quarta-feira, 28 de maio de 2014

Não tenha medo, tenha fé

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Para nossos medos, ou qualquer outra coisa que venha a se tornar uma carga que oprime e sufoca, devemos lembrar que temos quem venha acalmar as tempestades. E dele ouvimos o mesmo conselho, como o fez a Jairo, quando este pedia pela cura de sua filha: “Não tenha medo; tenha fé” (Marcos 5.36).
   Pesquisadores da Bíblia afirmam que o conselho “Não tenha medo” aparece 365 vezes nos textos sagrados – uma recomendação para cada dia do ano. O medo há de surgir de vez em quando em nossa vida, e é bom que tenhamos uma determinada dose de medo, isso serve como defesa. Mas ele não pode nos acovardar ou assumir o comando de nossa vida. Afinal, Jesus também promete: “Não vou deixá-los abandonados” (João 14.18). E mais, promete interceder junto ao Pai para que este nos dê “outro Auxiliador, o Espírito da verdade, para ficar com vocês para sempre” (João 14.16). É a esperança que só tem quem está mergulhado no mistério da fé – fé na presença do Mistério. Sentindo-nos amparados, o sofrimento pode até derrubar, mas não podemos cair mais fundo do que nas mãos do Pai.
   Ter fé é poder crer apesar do próprio medo, jogar a rede mesmo que já tenha tentado outras muitas vezes.
   Quem se ocupa por demais em sofrer, em cultivar suas dores e sofrimentos, torna-se chato como um disco de vinil riscado – não tocará nunca toda a música que seria capaz de tocar. Imagine que alguém esteja ouvindo a Nona Sinfonia de Beethoven e, por causa de um disco ou CD riscados, reclame o tempo todo de como essa música é chata. Está ouvindo só fragmentos mal colocados de uma linda composição.
   Deus não põe cargas. Quando a vida ou nós mesmos nos colocamos cargas, é Deus quem as alivia e carrega conosco.



Texto extraído do Livro Quando a vida dói, P. 78 a 81










quarta-feira, 21 de maio de 2014

O que entendemos por superstição?

imagem do arquivo
Após muita reflexão, formulei 12 itens sobre o termo superstição é visto e entendido na maioria dos que se ocupam com o assunto. Esses 12 itens foram formulados livremente por mim e a partir da literatura consultada. Coloco as frases entre aspas para indicar que o conteúdo é fruto de pesquisa e reflexão.

1 - "A palavra superstição vem do latim superstitio e significa: medo inquietante diante daquilo que ultrapassa o usual da fé oficial e reconhecida."
2 – “Sentimento religioso baseado no temor ou na ignorância, que induz ao conhecimento de falsos deveres, ao receio de coisas fantásticas, à confiança em coisas ineficazes e ao apego exagerado e infundado a qualquer coisa.”
3 – “Superstição é fé em acontecimentos sobrenaturais que contradizem as convicções e compreensões religiosas e científicas contemporâneas.”
4 – “Os elementos da superstição remetem a experiências que acompanham o homem desde os primórdios de sua história e mostram como ele se comporta diante daquilo que ultrapassa a sua capacidade de compreensão.”
5 – “Superstição não é algo estático e definível, mas é algo que desperta elementos de uma fé primitiva. Também parece trazer à tona, na memória de certas pessoas, antigos conceitos de mundo.”
6 – “Uma comparação do imaginário e das práticas da superstição em diversos povos e em diferentes épocas mostra que os conceitos básicos são, de modo geral, os mesmos; diferenciam-se apenas de acordo com o desenvolvimento cultural alcançado e pelas peculiaridades locais. Essa uniformidade de elementos básicos não provém de casualidades, mas faz parte da essência psíquica do homem.”
7 – “A superstição, portanto, não é uma manifestação que surgiu uma vez em algum lugar e de lá se expandiu entre os povos. Ao contrário, ela aparece espontaneamente em qualquer tempo e em qualquer lugar, de maneira criativa, das profundezas da essência humana e por isso deve ser vista como um fenômeno humano.”
8 – “Os principais elementos da superstição giram em torno de ritos ou atos de magia e prescrições através dos quais se quer banir desgraças ou então assegurar proteção e salvação.”
9 – “A afirmação de que os poderes da superstição seriam irreais alucinações, enquanto a fé estaria alicerçada em vivas e reais forças religiosas, não vale, porque a pessoa que se envolve com os poderes da superstição experimenta-os como reais.”
10 – “O conhecido psicólogo suíço Carl Gustav Jung vê na superstição um arquétipo de experiência religiosa. Lembra e acentua que, na língua alemã, os termos fé e superstição
(Glaube e Aberglaube) têm a mesma raiz. Mas, em sua opinião, a superstição sempre está relacionada a medo e gera neuroses; por isso ela precisa ser superada.”
11 – “Sobre tudo o que está relacionado com o mundo da superstição, magia e ocultismo pairam mistérios, crenças e forças que exercem uma forte atração sobre certas pessoas. Por isso é importante saber o que acontece nesse mundo que atrai tantas pessoas e é repelido por outras tantas.”
12 – “Há uma infinidade de literatura sobre o assunto. No meu entender, a maioria desse material é sensacionalista. Alguns autores veem no mundo da superstição apenas manifestações folclóricas e uma inocente religiosidade popular. Outros pintam-no como um pecado capital, do qual os envolvidos
dificilmente conseguirão libertar-se.”
(Nelso Weingärthner)

Texto extraído do Livro Mundo da Superstição - orientação para a vida de fé, P.14 e 15
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quarta-feira, 14 de maio de 2014

Para nós há um só Deus

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 “Pastor! Deus é um só em todas as religiões.” Não raro é esse o argumento de quem abandona sua tradicional comunidade de fé para se filiar a outra. A “troca de religião”, pois, seria uma questão apenas formal, não afetando o credo. A gente mudaria o rótulo, não o conteúdo. 
   Continuamos crendo naquele Deus que é o mesmo para todas as pessoas. É assim que se fala. Então já não faz diferença se somos católico sou luteranos, cristãos ou budistas, espíritas ou adeptos de uma das numerosas igrejas pentecostais que se espalham pelo país. Em última análise, tudo daria no mesmo. É correto pensar assim?
   Ora, por um lado não há como discordar. Deus de fato é um só. A igreja cristã jamais admitiu o politeísmo, ou seja, a crença em muitos deuses. Ela defende o “monoteísmo”. Trata-se de um legado recebido do antigo povo de Israel, que foi enfático em rejeitar o culto a outras divindade são lado daquele Deus que o libertara da escravidão do Egito e que com ele firmou uma aliança. Diz o primeiro mandamento: “Eu sou o Senhor, teu Deus [...] Não terás outros deuses diante de mim” (Êx 20.1s).
http://jcc7.wordpress.com
   Tal formulação não deixa margem para dúvidas. Israel sempre abominou a idolatria. O mesmo se observa no Novo Testamento. À pergunta pelo principal mandamento Jesus responde citando Dt 6.4s. Ele diz: “O principal é: Ouve, ó Israel, o Senhor nosso Deus é o único Senhor! Amarás, pois, o Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma, de todo o teu entendimento e de toda a tua força” (Mc 12.29). Que Deus seja um só é o pressuposto indiscutível de todo o Novo Testamento e por isso também da igreja cristã. Para ela existe “um só Deus e Pai de todos” (Ef 4.5s). Juntamente com o judaísmo e o islamismo, o cristianismo é tido como uma das grandes religiões monoteístas do mundo.
   Mesmo assim há fortes diferenças. Ainda que Deus seja um só, as maneiras de adorá-lo variam. São outras as imagens de Deus aqui e lá. Monoteísmo nem sempre significa a mesma coisa. Que Deus seja amor (1Jo 4.16) não tem analogia na religião muçulmana. O Deus Alá, de quem Maomé se sabia profeta, quer ver respeitados outros mandamentos do que o Pai de Jesus Cristo. Ele é autoridade absoluta, cujas determinações não necessitam de justificação. Ele é soberano e exige “dedicação” integral dos fiéis. Aliás, seria esse o significado original de “islã”.
   Diferenças existem também com relação ao Deus do Antigo Testamento. Apesar de que Jesus se sabia comprometido com o Deus de Abraão, Isaque e Jacó, ele fez uma releitura das sagradas tradições de Israel. Insistiu no amor que não exclui nem mesmo o inimigo (Mt5.43s). Deu mais valor à fé do que ao cumprimento formal da lei. Isso é novo e muda o discurso sobre Deus. Ficam excluídas desde já as imagens de um Deus vingativo, tirano, opressor. Deus é antes como aquele pai na parábola do filho pródigo que se compadece da criatura e sabe perdoar (Lc 15.11s). É uma concepção de modo algum compartilhada por outras religiões, nem mesmo por certos grupos cristãos.
   Ainda que se professe o monoteísmo, não existe nenhum consenso sobre como falar de Deus devidamente.

Texto extraído do livro Sabedoria da fé, num mundo confuso, P. 33
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