Olá!
Nesta semana, trazemos a entrevista com o tradutor do livro Loci Theologici: Tópicos teológicos de 1521, de Filipe Melanchthon, Eduardo Gross, Doutor em Teologia e professor da Universidade Federal de Minas Gerais. Confira, a seguir, a entrevista na íntegra e venha saber um pouco mais sobre esta obra inédita, publicada pela Editora Sinodal.
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Eduardo Gross |
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Filipe Melanchthon |
Qual é a importância desta obra para o mundo acadêmico?
Trata-se
de uma obra fundamental para o conhecimento teológico, afinal, é
a primeira dogmática protestante da história. Nesse sentido, ela
deve interessar a todo teólogo protestante, e mesmo a pessoas de
fora do âmbito acadêmico a quem as origens do Protestantismo
atraem. Também o público católico-romano deve se interessar,
pois se trata de um texto elaborado na polêmica da Reforma, de
modo que ele é um testemunho de primeira mão sobre os inícios
da sistematização da teologia protestante. Para além do âmbito
teológico, também estudiosos de filosofia, do Renascimento e da
língua latina, encontram nesta edição elementos que podem lhes
dizer respeito.
Melanchthon era professor de filosofia em
Wittenberg, e esta obra, embora diretamente se contraponha a uma
teologia baseada na filosofia aristotélica e escolástica, na
verdade representa uma outra forma de apropriação de elementos
filosóficos da tradição anterior. Isso se percebe mais
claramente ao examinar o desenvolvimento posterior do pensamento
de Melanchthon, expresso nas modificações que foram sendo
feitas nas edições seguintes dos Loci. Mas aqui se tem o
momento inicial deste processo. No mais, Melanchthon, além de
reformador, foi um dos mais importantes humanistas da sua época; e
ele continua quase desconhecido no Brasil. A importância da sua
sistematização teológica aponta para um modo específico de
relacionar esta disciplina aos saberes filosóficos, humanistas e
das línguas antigas que ele dominava.
Por que
publicar esta obra em português e latim?
Infelizmente, o
domínio das línguas clássicas sofre desvalorização nessa nossa
época, que muitas vezes privilegia unilateralmente o
desenvolvimento tecnológico. A publicação bilíngue visa
apontar para a importância de se conhecer também os originais
dos textos clássicos. Mesmo quem possua só alguns rudimentos do
latim, já poderá comparar a tradução com o original e
verificar algumas opções que um tradutor precisa fazer e que
nem sempre estão totalmente isentas de controvérsia. Bem ao
contrário. Mas, além disso, a língua original possibilita também
a crítica textual. Quando só se tem a tradução diante de si,
é impossível ver como os textos mudaram, mesmo já na época da
imprensa.
Esta edição apresenta as principais variantes
textuais no decorrer do primeiro ano das impressões. Algumas
vezes trata-se de correções - ou de novos erros - nas
impressões, mas há algumas mudanças e acréscimos substanciais
também. Com isso, pode-se examinar sutilezas no processo de
reflexão do autor. Por fim, a publicação bilíngue é também
uma justa homenagem à contribuição que o próprio Melanchthon
deu ao estudo das línguas clássicas. Ele mesmo publicou várias
obras de pensadores e literatos antigos, foi autor de gramáticas
de grego e latim, e escreveu poesias durante toda sua vida.
Qual é a importância da parceria com a Faculdades EST na publicação desta obra?
Primeiramente, trata-se de uma obra
teológica e identificada com a tradição da Reforma. Mesmo que
hoje nós devamos reconhecer a necessidade de que a reflexão
teológica seja marcada pelo espírito ecumênico, sem o que ela
se torna algo morto, uma arqueologia de ideias, por outro lado,
também é fundamental que se conheça a tradição histórica
que possibilitou a construção da nossa teologia moderna. A
Faculdades EST tem sido uma instituição em que se busca esta
dinâmica entre a imprescindível abertura para o mundo moderno e
a valorização dos passos dados antes de nós.
Em segundo lugar,
há um aspecto pessoal importante. A Faculdades EST está na base
da minha própria formação acadêmica humanista, tanto pela
minha graduação como pelo meu doutorado em Teologia. Também
minha tese de doutorado, “A Concepção de Fé de Juan Luis
Segundo”, foi editada pelo Fundo de Publicações da EST.
O
presente trabalho é resultado de alguns anos de atividade para a
defesa de tese de promoção a professor titular da Universidade
Federal de Juiz de Fora. Ele representa um passo a mais na minha
trajetória acadêmica, mas, ao mesmo tempo, esse passo se dá a
partir da base fornecida na Faculdades EST. A presença do professor Rudolf von Sinner naquela banca foi também um reflexo
desta relação já antiga.
O que significou para você
trabalhar com a Editora Sinodal?
Foi muito agradável. Fiquei
muito à vontade e recebi sugestões interessantes. As várias
propostas de capa para o livro, por exemplo, eu considerei muito
bem elaboradas, era difícil apontar uma como simplesmente
descartável. Houve um cuidado em manter o texto latino na forma
transmitida pelo responsável pela edição do original utilizado.
Isso é importante, porque assim conseguimos visualizar também
as modificações que ocorrem tanto na expressão da língua
latina quanto nos padrões gráficos da escrita, como na
pontuação, por exemplo.
Além de tudo, ainda foi gratificante
poder re-estabelecer contatos com amigos, como com a Brunilde
Arendt Tornquist, que acompanhou a editoração e que eu já
conhecia desde o internato na Escola Evangélica Ivoti, além de
seus familiares serem da primeira paróquia onde atuei como
pastor, Linha Pinheiro Machado. Então, foi um trabalho à
distância, já que hoje vivo e atuo em Juiz de Fora, Minas
Gerais, mas ao mesmo tempo, manifestar que também do ponto de
vista pessoal se trata do lugar certo para a realização desta
publicação.
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Até a próxima!