quarta-feira, 2 de abril de 2014

Somos batizados

http://pastoralbatismorj.blogspot.com.br
 Em nós, em todo caso na maioria de nós, aconteceu algo quando éramos pequenos. Fomos batizados. Um ministro da igreja deixou escorrer água sobre nossa testa e disse: “Eu te batizo em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo”. A água e a palavra que acompanha para descrever o significado da água, isso é o Batismo.
   A água é o elemento do qual se origina a vida. Mas a água não é um elemento em que um ser humano consiga viver. Ela é um símbolo tanto da vida quanto da morte. Quem cair na água morrerá se ninguém o tirar dela. A água reproduz o que aguarda um ser humano que ingressa neste mundo: Ele passa a viver.
     A vida não será sem medo e sofrimento, e o ser humano pode sucumbir nela. De maneira alguma poderá escapar de se tornar culpado, e talvez toda a sua vida se arruíne por causa dessa culpa. Ele tem, em todos os casos, a morte diante de si, mas essa será definitiva se alguém, por assim dizer, não o tirar dela. 
   Antigamente isso ficava mais claro, quando ainda se mergulhavam as crianças totalmente na água, até o fundo das velhas pedras batismais profundamente escavadas. Essas pedras batismais representavam, como se fossem a metade inferior de uma esfera, a metade inferior do mundo, em que o sofrimento, a culpa e a morte tudo determinam. Mas, diz o Batismo, o ser humano é puxado para fora de seu sofrimento, de sua culpa e de sua morte – para uma outra vida.
   No passado, batizavam-se principalmente os adultos, e algumas igrejas o fazem ainda hoje. Isso tem sentido. Afinal, quem é batizado deveria compreender o que acontece com ele ou ela. E deveria ter querido o Batismo. Hoje batizamos principalmente crianças. Isso também tem sentido. Pois aquilo que o Batismo nos dá não depende de nosso esforço, da clareza de nossas ideias, de nossa consciência, de alguma forma de comprovação, nem mesmo de um tipo qualquer de fé. Isso é presenteado assim, aliás, como a vida nos é dada sem nossa participação. No que diz respeito à morte, também nossa passagem por essa experiência escura para a luz acontece, como o nascimento de uma criança, independentemente de nossa compreensão e como algo que simplesmente nos sobrevém a partir da vontade de Deus.



Texto extraído do livro Quem crê pode confiar, P. 49
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http://www.editorasinodal.com.br/produto/92806/quem-cre-pode-confiar











quarta-feira, 26 de março de 2014

O pão nosso de cada dia

http://www.prnasser.com/1/archives/04-2013/1.html
   Várias vezes durante o dia, sentamos à mesa para as diferentes refeições e, quase sempre, lá está ele: o pão. Considerado um dos alimentos básicos do povo brasileiro, o pão está presente em quase todas as refeições. E tantas coisas são ditas a respeito desse alimento.
  O que mais me impressiona são a sabedoria e a grandeza de Jesus quando ele ensinou a oração do Pai–nosso a seus discípulos. Lá no meio da oração, ele ensina: “O pão nosso de cada dia nos dá hoje” (Mateus 6.11).
  Sábias palavras de Jesus, mais tarde interpretadas pelo reformador Martim Lutero, que explica o significado dessas palavras na oração do Pai-nosso. Diz Lutero: “Deus dá o pão de cada dia, também sem o nosso pedido, a todas as pessoas, inclusive às pessoas más. Mas pedimos nessa oração que ele nos faça reconhecer isso e receber com gratidão o pão nosso de cada dia”. 
   Lutero explica ainda que o pão de cada dia significa “tudo o que se refere ao sustento e às necessidades da vida, como por exemplo: roupa, calçado, casa, lar, dinheiro e bens, bom governo, paz, saúde” ... e segue uma enorme lista de coisas semelhantes. 
   Pão é muito mais do que apenas o alimento feito com farinha, água e fermento. Assim nos conta esta história: 
   “Era um fim de tarde de sábado. Eu estava molhando o jardim da minha casa quando vi um menino parado junto ao portão, olhando para mim.
   – Dona, tem pão velho? – perguntou ele. Essa coisa de pedir pão velho sempre me incomodou...
   Olhei para aquele menino tão nostálgico e perguntei:
http://danielmoreira.blogspot.com.br/
  – Onde você mora? 
  – Depois do zoológico. 
  – Bem longe, hein? 
  – É... mas eu tenho que pedir as coisas para comer. 
  – Você está na escola? 
  – Não. Minha mãe não pode comprar material. 
  – Seu pai mora com vocês? 
  – Ele sumiu... 
   O papo prosseguiu, até que eu disse: 
  – Vou buscar o pão. Serve pão novo? 
  – Não precisa, não. A senhora já conversou comigo; isso é suficiente.” 
   Quantas lições podemos tirar dessa resposta! “Não precisa, não. A senhora já conversou comigo; isso é suficiente!” 
   Acredito que gestos assim, de falar e ouvir com amor, também fazem parte do “pão nosso de cada dia”.(T.C.W)


Texto extraído do Livro Um olhar para o vale 4, P.9
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quarta-feira, 19 de março de 2014

Um sábio conselheiro

http://www.reino.net.br
Muitas pessoas tornaram-se importantes porque receberam estímulos decisivos de parentes e amigos e tiveram a grandeza suficiente para aceitar conselhos de outros. Isso também aconteceu com o mais importante líder do povo de Israel: Moisés. Estímulos decisivos para cumprir sua missão de libertar o povo do Egito e liderá-lo no caminho à terra prometida Moisés recebeu de sua esposa e de seu sogro.
O início da relação entre Moisés e Jetro deu-se com um gesto de hospitalidade por parte deste. Êxodo 2.15-22 relata que, ao fugir do Egito para escapar das mãos do faraó, Moisés chegou a um poço na terra dos midianitas, uma região desértica ao norte da Península Arábica. Esse poço fornecia água para os rebanhos de cabras e ovelhas. Quando sete mulheres que queriam dar de beber a seu rebanho foram hostilizadas por outros pastores, Moisés defendeu-as e ajudou-as a dar de beber aos animais.
Essas mulheres eram filhas do sacerdote midianita Jetro (também chamado de Reuel, que significa “amigo de Deus”). Como sacerdote esse tinha autoridade e influência entre seu povo. Ao ouvir de suas filhas que um egípcio as ajudara, Jetro oferece ao estrangeiro a hospitalidade de sua casa, o que incluía proteção e a possibilidade de viver como um membro da família. A convivência na família resultou no casamento de Moisés com uma das filhas de Jetro: Zípora. 
Durante essa sua estada, Moisés também teve seu encontro com Deus e foi chamado para retornar ao Egito e libertar os israelitas da escravidão. Com a mesma abertura com que havia aceito Moisés como membro de sua família, Jetro também aceita agora os motivos alegados pelo genro para sair de casa. Em nenhum momento ele acusa Moisés de ingratidão por abandonar a família depois de ter sido tão bem recebido nela. Pelo contrário, ele entende a situação e despede-o com uma bênção: “Vai-te em paz!” (Êxodo 4.18). Além de saber acolher bem, Jetro também sabe quando é hora de deixar partir. O reencontro entre genro e sogro dá-se somente após o êxodo de Israel do Egito.
Depois de contar as novidades e celebrar o reencontro da família, Moisés volta às tarefas cotidianas de liderar um povo: “No dia seguinte, assentou-se Moisés para julgar o povo; e o povo estava de pé diante de Moisés desde a manhã até o por do sol” (Êxodo 18.13). Esse versículo mostra que o povo liberto ainda tinha problemas que precisavam ser resolvidos.
Viver em sociedade traz problemas e conflitos. Há muitos casos jurídicos. Nem tudo é perfeito no povo de Deus. Moisés tem que resolver todos os problemas. Por isso ele fica o dia inteiro julgando, à luz da vontade divina, os casos que lhe são trazidos. Jetro inicialmente observa em silêncio o que acontece. No final do dia, ele faz uma pergunta ao genro: “Que é isso que fazes ao povo?” (Êxodo 18.14). Moisés tenta justificar seu comportamento: “O povo vem a mim consultar a Deus” (Êxodo 18.15).
 A história termina com uma lição de Jetro. Depois de prestar sua assessoria, ele não quer nenhum cargo de destaque, mas deixa que seu genro e o povo de Israel continuem crescendo, a seu modo, no caminho para a liberdade. Jetro volta à sua vida rotineira: “Então, Moisés se despediu de seu sogro, e esse se foi para a sua terra” (Êxodo 18.27). Depois de dar sua contribuição para o crescimento do povo de Israel, Jetro sai sem alarde de cena, somente com a sensação do dever cumprido.


Texto extraído do livro Retratos - Exemplos de fé e vida, P.19
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quarta-feira, 12 de março de 2014

Lutero e a razão

http://www.jornalocaminho.com.br
A teologia de Lutero apresenta uma compreensão surpreendentemente moderna e inspiradora da razão e de seu papel na vida pública e privada. Lutero valorizava muito a razão humana em quase todos os assuntos terrenos. Ele considerava a razão o meio concedido por Deus para explorar a realidade psíquica, social e física e para moldar o mundo natural, social e moral.
Embora tivesse a razão em alta estima, é a crítica de Lutero à razão que recebeu toda a atenção. Para ele, a razão é uma faculdade da alma humana e faz, portanto, parte da natureza. Ela está vinculada ao mundo criado, ao tempo e ao espaço. Quando respeita suas próprias limitações, ela cumpre sua vocação dada por Deus. Quando extrapola o mundo empírico, incorre em erro. A razão é lamentavelmente inadequada, e até mesmo obstinadamente pecaminosa, em questões religiosas e espirituais. Para Lutero, a razão, quando empregada na religião, nunca atina com o Deus verdadeiro e acaba construindo ídolos de sua própria fabricação. A crítica incisiva de Lutero à razão no que tange à religião verdadeira e ao Deus verdadeiro está por trás de sua famosa condenação da razão como “prostituta” que se vende a qualquer um – e a qualquer empreendimento religioso – que pagar bem.
Temos de considerar ambos os aspectos – o apreço pela razão e a restrição crítica dela – na avaliação da razão humana feita por Lutero. Ambos os lados nos ajudarão a examinar como a razão pode ser considerada uma ferramenta inestimável para tecer argumentos em discussões na atualidade.

Texto extraído do Livro LUTERO - um teólogo para tempos modernos, P.198             Informações de como adquirir o livro em...







quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

Seminário sobre Lutero na Bahia

   As 95 teses pregadas por Martim Lutero na igreja de Wittenberg (Alemanha) em 31 de outubro de 1517 desencadearam a Reforma Protestante. Lutero publicou as teses principalmente como crítica à venda de indulgências por clérigos da Igreja Católica, seus excessos e suas limitações ao pensamento livre. Em 2017, a publicação das 95 teses completa exatamente 500 anos. A Igreja Luterana, hoje com cerca de 90 milhões de fiéis em todo o mundo, está organizando celebrações que têm como objetivo relembrar o papel de Lutero e a mudança que as suas teses provocaram na história mundial.
  Integra-se a essas comemorações a Comissão Interluterana de Literatura (CIL), formada pelas duas igrejas luteranas brasileiras: a Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil (IECLB) e a Igreja Evangélica Luterana do Brasil (IELB). Os gerentes de vendas da Editora Sinodal (IECLB) e da Editora Concórdia (IELB) desenvolveram para a CIL um projeto que tem como meta a promoção e a ampliação das vendas das Obras Selecionadas de Martinho Lutero (OSL- http://www.editorasinodal.com.br/departamento/9117/16/martim-lutero) no mercado evangélico e a realização de uma série de seminários sobre Lutero pelo Brasil afora. Esse projeto se estende até 2017, somando-se às comemorações dos 500 anos da Reforma Luterana. A ideia central é abrir e preparar o mercado até a chegada das celebrações dos 500 anos. O calendário dos seminários prevê dois encontros por ano, um para cada semestre, divididos entre as editoras em comum acordo nos próximos anos.
Fachada da igreja
  O próximo Seminário sobre Lutero será realizado nos dias 25 e 26 de abril 2014 em Salvador, Bahia, nas dependências da Igreja Batista Sião, situada a Rua Forte de São Pedro, 68, Centro, Salvador, BA, com apoio do Seminário Teológico Batista do Nordeste. O palestrante será Wilhelm Wachholz, escritor, professor e Doutor em Teologia e História da Igreja pela Faculdades EST. Entrada franca




Clique nos anexos para visualizar o convite e programação!!
  

Assista o vídeo dos 500 anos da Reforma Luterana

quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

O bem do próximo na teologia de lutero

A bondade do objeto do amor


http://oqueeojantar.blogs.sapo.pt
O luteranismo, muitas vezes, é visto como socialmente desinteressado, mas esse estereótipo não é válido. O luteranismo é conhecido pela ideia de que a fé liberta o ser humano para servir o próximo em amor. Lutero define o amor ao próximo como um empenho pelo bem do outro. A pessoa é libertada do empenho pelo bem e ganho pessoal. Frequentemente, o reformador descreve o amor ao próximo como um amor que visa unicamente a satisfazer a necessidade do próximo. A necessidade do próximo é justamente o ponto em que Lutero começa a definir o bem. Ele não parte do esforço da pessoa para alcançar e garantir seu próprio bem, mas volta sua atenção para o próximo. Perguntas importantes surgem a partir do foco distintivo de Lutero sobre o próximo: Como se pode reconhecer o que o próximo necessita? Qual é a relação dessa determinação da necessidade com a liberdade negativa e positiva do próximo? 
  O melhor é começar com uma explicação de como Lutero compreende os conceitos de ''bom'' e ''bondade''. Toda bondade se baseia na bondade de Deus, que é bondade em si. Lutero, porém, não define a bondade como o atributo divino fundamental. Deus não somente é bondade, mas é amor. É bondade porque faz obras, mas essa bondade flui encantadoramente do amor de Deus. Os escritos do reformador sugerem que o amor de Deus não pode ser confundido com sua bondade, embora os dois atributos formem uma unidade estreita. O fato de Lutero privilegiar o amor sobre a bondade talvez seja uma pista teológica para sua compreensão do amor como o principio fundamental da realidade!

Texto extraído do livro LUTERO - um teólogo para tempos modernos, P. 239.
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quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

Divisão na essência de Deus

http://www.luteranos.com.br
 A exposição da forte ambivalência presente em Lutero não ajuda a fazer avaliações fáceis de sua vida e teologia. A religiosidade moderna privilegia um meigo Jesus amigável sobre um severo Deus punitivo. Até os luteranos que ajam de uma maneira que corresponda à vontade de Deus – ao segundo uso da lei, que acusa os seres humanos se seus pecados. Porém, se pensamos sobre as várias dimensões de um mundo que está longe de ser perfeito, um mundo que diariamente é mergulhado na violência e degradação, então temos de admitir que os lados escuros da realidade precisam ter um lugar em nossa imaginação religiosa.
   O diabo talvez não seja o candidato favorito das teólogas e teólogos modernos para configurar uma imagem religiosa mais robusta do mundo em relação a Deus, mas algumas tradições cristãs contemporâneas de fato levam o diabo em consideração em suas ontologias. Com o diabo ou sem ele, a teologia moderna tem de levar a sério a questão do estabelecimento de uma relação da profunda aflição e dos poderes demoníacos do mundo com Deus. Não é fácil encontrar uma terminologia responsável e articular conceitos adequados para experiências dos aspectos ameaçadores e esperançosos da realidade. As várias maneiras que Lutero propôs para integrar os dois lados talvez não resistam ao teste do tempo presente, mas sua articulação do problema é, pelo menos, um bom ponto de partida. Deus deve ser concebido em relação à realidade que ele determina através de seu poder. Lutero não teve medo de se confrontar com essa relação, chegando inclusive ao ponto de fazer algumas afirmações perigosas sobre Deus e os inimigos de Deus. Nossa tarefa teológica contemporânea é levar, corajosa e criticamente, as importantes questões de Lutero um passo adiante.  

Texto extraído do Livro Lutero um teólogo para tempos modernos, P. 112
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