quarta-feira, 30 de maio de 2012

Dietrich Bonhoeffer- Discipulado


Os mensageiros (Mt 9.35-10.42)

A ceifa
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   E percorria Jesus as cidades e povoados, ensinando nas sinagogas, pregando o evangelho do reino e curando toda sorte de doenças e enfermidades. Vendo ele as multidões, compadeceu-se delas, porque estavam aflitas e exaustas como ovelhas que não têm pastor. E então se dirigiu a seus discípulos: A seara na verdade é grande, mas os trabalhadores são poucos. Roguem, pois, ao Senhor da seara que mande trabalhadores para a sua seara. (Mt 9.35-38).
   O olhar de Jesus cai compassivamente sobre seu povo, o povo de Deus. Ele não podia satisfazer-se com os poucos que ouviram seu chamado e o seguiram. Não lhe ocorria recolher-se aristocraticamente em companhia dos discípulos e, à moda dos grandes fundadores de religiões, transmiti-lhes, no silêncio e longe da massa do povo, os ensinamentos de conhecimento elevado e de conduta perfeita. Jesus havia vindo, trabalhava e sofria por amor de todo o seu povo. E os discípulos que o querem tomar exclusivamente para si, que procuram evitar que ele seja incomodado por crianças que lhe estavam sendo trazidas e por não poucos miseráveis mendigos à beira do caminho (Mc 10.48), descobrem que Jesus não permite que lhe restrinjam a atividade. Seu evangelho do reino de Deus e seu poder salvífico pertenciam aos pobres e enfermos onde quer que os encontrasse em seu povo.
   A contemplação da multidão, que aos discípulos talvez causasse repugnância, ira ou desprezo, fazia o coração de Jesus encher-se de grande compaixão e dor. Nenhuma repreensão, nenhuma acusação. O povo amado de Deus jazia maltratado, e a culpa era dos que lhe deveriam ministrar o serviço divino. Não foram os romanos que provocaram tal situação, mas o abuso da Palavra de Deus pelos servidores consagrados da Palavra. Já não havia pastores! Um rebanho que não recebe água fresca, cuja sede não é saciada, ovelhas que não têm pastor que as proteja do lobo, maltratadas e feridas, assustadas e apavoradas sob o cajado implacável de seus pastores, rebanho prostrado - foi assim que Jesus encontrou o povo de Deus. Perguntas sem resposta, miséria sem socorro, consciência angustiada sem libertação, lágrimas sem consolo, pecado sem perdão!
http://catequesecaminhando.blogspot.com.br/
  Onde estava o bom pastor do qual esse povo tanto necessitava? De que valia os escribas obrigarem o povo a frequentar as sinagogas, os zelosos da lei condenarem duramente os pecadores sem, no entanto, lhes ajudar, de que valiam os mais ortodoxos pregadores e intérpretes da Palavra de Deus, se não estivessem imbuídos de toda a compaixão e piedade pelo povo de Deus abusado e maltratado? De que valem os doutores da lei, fariseus, pregadores, quando faltam os pastores da grei? Bons pastores, eis o que o rebanho precisa. "Pastoreia o meu rebanho!", eis a última ordem de Jesus a Pedro. O bom pastor luta por seu rebanho contra o lobo, o bom pastor não foge, antes dá a vida pelas ovelhas. Ele conhece todas as ovelhas por seus nomes e as ama. Conhece seus problemas e fraquezas. Sara as feridas, dá água às sedentas, apoia as que estão prestes a cair. Apascenta-as com amabilidade, e não com dureza. Conduz as ovelhas ao caminho certo. Procura a ovelha perdida e a reconduz ao rebanho. Os maus pastores, porém, governam com poder, esquecem-se do rebanho e buscam os próprios interesses. Jesus está à procura de bons pastores, e eis que não os encontra.
       Isso lhe comove o coração. Com sua misericórdia divina envolve o rebanho abandonado, o povo ao seu redor. Humanamente visto, o quadro é desolador. Não, porém, para Jesus. Vê no povo maltratado, miserável e pobre de Deus a seara madura de Deus. "A seara é grande!" Está madura e deve ser recolhida aos celeiros. Chegou a hora de esses pobres e miseráveis serem recolhidos ao reino de Deus. Jesus vê irromper sobre a massa do povo a promissão de Deus. Os doutores da Escritura e os zelosos da lei apenas divisam um campo pisoteado, queimado e desmantelado. Jesus vê a ondulante e madura seara para o reino de Deus. A seara é grande! Somente sua misericórdia o vê.
   Não há tempo a perder. A ceifa não pode ser adiada! "Mas os trabalhadores são poucos." Isso surpreende, já que há tão poucos aos quais foi dada esta visão misericordiosa de Jesus? Quem mais poderia participar deste trabalho senão aqueles que receberam parte no coração de Jesus, aos quais ele abriu os olhos?
   Jesus busca ajuda. Não pode realizar a tarefa sozinho. Quem são os colaboradores? Somente Deus os conhece e é ele que tem que dá-los ao Filho. Quem teria coragem de oferecer-se voluntariamente como co-laborador de Jesus? Nem mesmo os discípulos podem fazer isto. Eles devem pedir ao Senhor da seara que mande trabalhadores a tempo, porque está na hora.
   
   Os apóstolos
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   Tendo chamado os seus doze discípulos, deu-lhes Jesus autoridade sobre espíritos imundos para os expelir, e para curar toda sorte de doenças e enfermidades. Ora, os nomes dos doze apóstolos são estes: primeiro, Simão, por sobrenome Pedro, e André, seu irmão; Tiago, filho de Zebe-deu, e João, seu irmão; Filipe e Bartolomeu; Tomé e Mateus, o publica- no; Tiago, filho de Alfeu, e Tadeu; Simão o Zelote, e Judas Iscariotes, que foi também quem o traiu. (Mt 10.1-4).
   A oração foi ouvida. Deus revelou ao Filho sua vontade. Jesus Cristo chama os doze discípulos e os envia à seara. Torna-os "apóstolos", seus mensageiros e colaboradores. "Deu-lhes autoridade". O que importa é esta autoridade. Os apóstolos não recebem apenas uma palavra, uma doutrina, mas autoridade eficiente. Como poderiam realizar sua tarefa sem essa autoridade? E deve ser uma autoridade maior do que a daquele que governa o mundo, Satanás. Os discípulos bem conhecem o poder de Satanás, embora a estratégia de Satanás fosse negar seu poder, convencendo os seres humanos de sua própria inexistência. É preciso combater exatamente este exercício extremamente perigoso de poder de Satanás. Satanás tem que sair do esconderijo e tem que ser vencido pelo poder de Cristo. Assim, os apóstolos ficam colocados ao lado do próprio Jesus Cristo. Sua tarefa é ajudá-lo a realizar sua obra. Por isso, Jesus não lhes nega o maior dom para esta tarefa - compartilhar de seu domínio sobre os espíritos imundos, sobre Satanás, que se apoderou da humanidade. Nesta missão, os apóstolos estão equiparados a Cristo. Fazem a obra de Cristo.
   Os nomes destes primeiros mensageiros ficarão conservados ao mundo até o dia derradeiro. Eram doze as tribos constituintes do povo de Deus. São doze os mensageiros que devem realizar neste povo a obra de Cristo.

Extraído do livro: Discipulado de Dietrich Bonhoeffer, p125 a 127



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quarta-feira, 23 de maio de 2012

Dietrich Bonhoeffer - Vida em comunhão

O SERVIÇO

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   “Houve entre eles (os discípulos) uma discussão: qual deles seria o maior!” (Lucas 9.46). Sabemos quem semeia semelhante pensamento na comunidade cristã. No entanto, talvez não estejamos suficientemente conscientes de que é impossível uma comunidade cristã se reunir sem que surja logo esse pensamento como semente de discórdia. Mal as pessoas se encontram, logo têm que começar a observar, julgar e enquadrar umas às outras. 
   Dessa maneira, já no surgimento da comunhão cristã começa também uma invisível, muitas vezes inconsciente, horrível luta de vida e morte. “Houve entre eles uma discussão” – isso basta para destruir a comunhão. Por isso é de vital importância para toda a comunidade cristã que ela enfrente esse inimigo desde a primeira hora e o extermine. 
   Nesse ponto não há tempo a perder, pois assim que uma pessoa se encontra com outra, cada qual busca uma posição estratégica para se defender. Há pessoas fortes e fracas. Se alguém não é forte, logo invoca para si o direito dos fracos e o usa contra o forte. Há as pessoas talentosas e as pessoas sem talento, pessoas simples e pessoas difíceis, piedosas e menos piedosas, pessoas sociáveis e as esquisitas. 
   A pessoa destituída de talento não precisa firmar sua posição do mesmo modo como faz a pessoa talentosa, a pessoa difícil como a pessoa simples? E se não sou talentoso, talvez seja piedoso; se não sou piedoso, talvez nem o queira ser. Por acaso não pode a pessoa sociável conquistar tudo para si num só instante, envergonhando assim o tímido? Por acaso a pessoa esquisita não pode se tornar o inimigo invencível e, por fim, o vencedor sobre as pessoas sociáveis? 
   Que pessoa não encontraria com certeza instintiva o lugar no qual possa se firmar e se defender lugar esse que jamais cederá a outro qualquer e o qual defenderá com todo seu instinto de autoafirmação? Tudo isso pode acontecer das formas mais civilizadas e inclusive mais piedosas. 
   O que importa é que uma comunidade cristã saiba que, com toda certeza, “houve entre eles uma discussão: qual deles seria o maior?”. É a luta da pessoa natural pela autojustificação. E ela a encontra somente ao comparar-se com outra pessoa, no julgamento dela. 
   Autojustificação e julgamento andam de mãos dadas, assim como a justificação por graça e o servir.





Extraído do livro Dietrich Bonhoeffer -
Vida em comunhão  P. 79

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quarta-feira, 16 de maio de 2012

Dietrich Bonhoeffer- Tentação

 AS TENTAÇÕES CONCRETAS E SUA SUPERAÇÃO


http://www.melbourne.anglican.com.au
   Na tentação concreta do cristão, sempre é preciso dis­tinguir a mão do diabo e a mão de Deus. Estão em jogo, portanto, a resistência e a submissão no lugar certo, ou, em outras palavras: a resistência contra o diabo só é possível na total submissão sob a mão de Deus.
   Isso precisa ficar claro concretamente. Porque todas as tentações dos crentes são tentações de Cristo em seus membros, do corpo de Cristo, falamos dessas tentações em analogia à tentação de Cristo: 1) Da tentação carnal. 2) Da elevada tentação espiritual. 3) Da última tentação. A toda tentação, porém, aplicam-se as palavras de 1 Coríntios 10.12- 13: "Aquele, pois, que pensar estar em pé veja que não caia. Não vos sobreveio tentação que não fosse humana; mas Deus é fiel e não permitirá que sejais tentados além das vossas forças; pelo contrário, juntamente com a tentação, vos pro- verá livramento, de sorte que a possais suportar".
   Isso se contrapõe, em primeiro lugar, a toda falsa se­gurança e, em seguida, a todo falso desânimo diante da ten­tação. Ninguém deve estar nem por um instante seguro de que ficará livre da tentação. Não há tentação que não pudes­se me assaltar ainda neste momento. Ninguém creia que Satanás esteja longe dele: "Ele anda em derredor, como leão que ruge procurando alguém para devorar" (1 Pedro 5.8). Nesta vida, não estamos seguros em nenhum momento em relação à tentação e à queda. Por isso, não te ensoberbeças quando vires outros tropeçando e caindo. A segurança vai tornar-se uma cilada para ti. Portanto, "não te ensoberbeças, mas teme" (Romanos 11.20). Deves estar sempre prepa­rado, para que o tentador não tenha poder sobre ti.
http://www.galerinhapaz.blogspot.com.br/
   "Vigiai e orai, para que não entreis em tentação" (Mateus 26.41). Permanecer vigilante contra o inimigo ardi­loso e orar a Deus para que nos conserve firmes em sua palavra e em sua graça - esta é a atitude do cristão diante da tentação
   Mas o cristão também não deve temer a tentação. Se ela lhe sobrevier apesar da vigilância e da oração, ele deve saber que pode superar toda e qualquer tentação. Não há tentação que não pudesse ser superada. Deus conhece nossa capacidade e não permite que uma tentação vá além de nossa força. A tentação que nos sobrevém é humana, ou seja, ela não é grande demais para nós seres humanos. Deus usa com cada pessoa a medida que ela pode suportar. Isto é certo. Quem fica desanimado diante do caráter repentino e terrível da tentação já se esqueceu do principal, a saber, que certamente vencerá a tentação, porque Deus não per­mitirá que ela vá além de sua capacidade. Existem tentações que tememos especialmente, porque já fomos derro­tados por elas com frequência. Se elas surgem inesperada­mente de novo, já nos sentimos derrotados de antemão. Mas são justamente essas tentações que podemos encarar com a maior calma e serenidade, pois elas podem ser supera­das, e elas são superadas tão certo quanto Deus é fiel. A tentação deve nos encontrar em atitude de humildade e cer­teza da vitória.





Extraído do livro Dietrich Bonhoeffer- Tentação P. 44 e 45

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quarta-feira, 9 de maio de 2012

Dietrich Bonhoeffer


EXISTIR PARA OS OUTROS

Arquivo Editora Sinodal
   Jesus  “só está aí para outros”. Essa “existência em favor dos outros”, própria de Jesus, é a experiência da transcendência!  Da liberdade em relação a si mesmo, da “existência  em favor dos outros” até a morte é que provém a onipotência, onisciência, a onipresença. Fé é a participação neste ser por Jesus. (Encarnação, cruz, ressurreição.) 
   Nossa relação com Deus não é uma relação “religiosa” com o ser mais elevado, mas poderoso, melhor que se possa imaginar- isto não é transcendência  genuína, mas nossa relação com Deus é uma nova vida na “existência para outros”, na participação no ser de Jesus. O transcendente não são as tarefas infinitas , inatingíveis, mas é  respectivo próximo que está ao alcance. Deus em figura humana![...] O “ser humano para os outros”! Por isso o crucificado. O ser humano que vive do transcendente.
   Três cenas da vida de Bonhoeffer  ilustram muito bem o texto.
  1. Segundo relato de um amigo, Bonhoeffer, quando estava nos Estados Unidos, gastava pequenas fortunas em cartas e telefonemas. Ele  se lembrava de pessoas doentes, de alguém que precisava de uma palavra de ânimo ou consolo, e investia tempo e dinheiro para ir ao encontro dessas pessoas.
  2. Existe uma pequena coleção de orações que ele escreveu na prisão para outros prisioneiros.
  3. Na prisão, ele dedicava todo tempo possível a funcionários que quisessem conversar.
As raízes para esse seu agir estão na sua fé, na sua relação com Deus, em relação que só é autêntica quando passa pelo semelhante. A adoração ou veneração de Deus que não passa pelo outro, por aquele que está ao meu lado e que precisa de mim, é egoísta e, portanto, sem valor.
   Em nossa vida, constantemente, tentamos separar as coisas. Buscamos colocar nossa vida em ordem com Deus em uma relação que deixa de fora nosso semelhante.  Assim, porém, transformamos Deus em um ídolo e a nós mesmos em idólatras. Há aquela passagem bonita  no Novo Testamento que diz: “ Antes de trazeres tua oferta, vai e acerta a relação com o teu irmão. Depois vem e coloca a oferta diante do altar.”  
   Bonhoeffer afirma que as relações humanas são simplesmente o mais importante na vida e que o próprio Deus deixa-se servir por nós  no humano.





Extraído do livro Dietrich Bonhoeffer –Meditações, p.10-11

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quarta-feira, 2 de maio de 2012

Maio, mês de Bonhoeffer

Quem foi Dietrich Bonhoeffer?
  

Arquivo Editora Sinodal



   Dietrich Bonhoeffer nasceu em 4 de fevereiro  de 1906, em Breslau, na Alemanha.
     Decidiu já bem cedo que queria ser teólogo. Estudou Teologia em Tübinger e Berlim, onde se bacharelou em 1927, aos 21 anos. Após seu vicariato de um ano em Barcelona, na Espanha, Dietrich Bonhoeffer se habilitou à docência na Universidade de Berlim, mas, antes de assumir, ainda passou um ano estudando nos Estados Unidos.
   Em 1933, decidiu atuar em comunidade e assumiu um pastorado na cidade de Londres, na Inglaterra. Essa época foi marcada por importantes contatos ecumênicos. 
   Em 1935, Dietrich Bonhoeffer retornou à Alemanha e assumiu a direção do Seminário Teológico da Igreja Confessante, em Finkenwalde b. Stettin. Logo depois, ingressou na resistência politica. Em 1936, o regime nazista cassou sua habilitação à  docência na Universidade de Berlim. Depois veio a proibição de palestrar  e de escrever.  
 Em 05 de abril de 1943, Bonhoeffer foi preso e encarcerado na prisão militar de Tegel, em Berlim. Durante o tempo que passou na prisão, Bonhoeffer escreveu cartas inspirativas e poemas que hoje são considerados como clássicos cristãos. 
http://www.ushmm.org
   No dia 9 de abril de 1945  Dietrich Bonhoeffer  e mais quatro outros conspiradores foram enforcados no campo de extermínio de Flossenbürg.




Texto extraído do livro " Vida e Pensamento "
de Dietrich Bonhoeffer




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quarta-feira, 25 de abril de 2012

Perguntas e respostas sobre luteranismo

Nossa igreja nossa identidade

Manual de estudos
1. Quem são os luteranos? (p. 17)
São conhecidas como luteranas as pessoas que professam a sua fé em Jesus
Cristo a partir dos ensinamentos bíblicos redescobertos por Martim Lutero.
Martim Lutero nasceu na Alemanha, em 1483, foi monge agostiniano e professor
da Universidade de Wittenberg. Ao descobrir que a igreja havia se desviado
dos ensinamentos bíblicos, tornou públicas 95 teses, no dia 31 de outubro
de 1517, propondo reflexão e mudança da prática da igreja.
A igreja rejeitou os escritos de Lutero, o que desencadeou o movimento que
recebeu o nome de Reforma, em decorrência do qual surgiu a igreja luterana.
Lutero faleceu em 1546.

4. Onde surgiu a igreja luterana? (p.18)
A origem da nossa igreja está diretamente relacionada com o surgimento da
igreja cristã, ocorrido como continuidade da atuação e dos ensinamentos de
Jesus. Estamos ligados ao grande acontecimento do dia de Pentecostes, quando,
pela ação do Espírito Santo, os apóstolos foram enviados para evangelizar
o mundo.
Como instituição, a igreja luterana surgiu a partir de 1517 com a Reforma. Lutero
queria que a igreja voltasse às suas origens como anunciadora da vontade de
Deus e do Evangelho libertador de Jesus Cristo. Aqui no Brasil, os trabalhos da
igreja luterana começaram com os primeiros luteranos que vieram da Alemanha
e de outras partes da Europa a partir do ano de 1819 (Nova Friburgo/RJ), 1824
(São Leopoldo/RS), 1846 (Domingos Martins/ES).

11. Que função as mulheres exercem no trabalho da igreja?(p.20)
Na IECLB, as mulheres exercem as mesmas funções e têm os mesmos direitos
e deveres que os homens. Elas são ativas nos presbitérios e demais órgãos
diretivos, além de desenvolverem importante trabalho através dos grupos organizados
(OASE, Fórum da Mulher Luterana, Encontro de Trabalhadoras
Rurais, p. ex.). A IECLB foi a primeira igreja no Brasil a admitir mulheres
no ministério pastoral. Atualmente existem mulheres nos quatro ministérios
reconhecidos pela igreja.

14. O que é graça?(p.21)
Nós luteranos confessamos que “somos aceitos (justificados) por Deus unicamente
através de sua graça, mediante a fé” (Efésios 2.4-8). Graça é a palavra
usada para expressar a misericórdia, o perdão e o amor de Deus que nos
são oferecidos através de Jesus Cristo. Imaginemos uma pessoa atolada até o
pescoço num brejo. Não adianta ela mesma tentar se puxar para fora pelos
cabelos. Alguém de fora precisa ajudá-la jogando uma corda. É necessário,
no entanto, que a pessoa segure a corda que lhe está sendo lançada. Esse
brejo representa o pecado que insiste em afastar a humanidade de Deus. Por
nós mesmos, afundamos e perecemos em nossas fraquezas. Necessitamos de
alguém que nos arranque desse atoleiro. Lemos em 1 Timóteo 2.4 que Deus
deseja a salvação de todas as pessoas. Por isso ele enviou seu Filho para nos
libertar. Cabe-nos reconhecer esse profundo amor de Deus por nós e permitir
que Cristo nos conduza. Em 2 Coríntios 5.21, o apóstolo Paulo fala de uma
permuta: Jesus, que era sem pecado, morreu na cruz para que nós, os pecadores, pudéssemos receber o perdão de Deus e nova vida. Isso é graça!

19. Por que batizamos?(p.23)
Batizamos por ordem e pela promessa que o próprio Cristo nos deixou (Mateus
28.19). Pelo Batismo, somos incluídos no corpo de Cristo, representado
pela comunidade reunida em culto (1 Coríntios 12.13). Assim, somos inseridos
na aliança de Deus com o seu povo, tornando-nos herdeiros da nova
vida que Deus quer conceder a todas as pessoas. No Batismo, recebemos um
banho regenerador. Nele, Deus derrama sobre nós o Espírito Santo, dando-nos
a oportunidade de uma nova vida (Tito 3.4-8; Romanos 8.17; Gálatas
3.26-28).

20. Quem pode ser batizado?(p.23)
Ao instituir o Batismo, Jesus não estabelece nenhum pré-requisito. Em Marcos
16.16, Jesus diz: “Quem crer e for batizado será salvo. Quem, porém, não
crer será condenado”. Ao proferir essas palavras, ele se refere à salvação, não
estabelecendo qualquer tipo de sequência a ser obedecida para a realização
do Batismo. Em momento algum Jesus afirma que a fé deve vir antes do Batismo,
ou vice-versa. 

154. A morte é o final de tudo?(p.95)
A Bíblia anuncia a ressurreição dos mortos, consequentemente a morte terrena
não é o fi m de todas as coisas. Em Romanos 6.23 está escrito: “porque o
salário do pecado é a morte, mas o dom gratuito de Deus é a vida eterna em
Cristo Jesus, nosso Senhor”.
Muitas pessoas pensam que, ao morrer, iremos direto para o céu. Há também
quem acredite na existência de um purgatório (um lugar reservado para a purificação das almas). Isso contraria a orientação bíblica. Se na morte fôssemos
direto para o céu, o juízo final e a ressurreição não seriam necessários. Para
a Bíblia, corpo e alma não são partes distintas que habitam uma na outra,
mas são maneiras de descrever o ser humano como um todo. Nós não temos
corpo, somos corpo. Da mesma forma, nós não temos alma, nós somos alma.
O apóstolo Paulo se refere aos cristãos mortos como “os que dormiram em
Cristo”. Com isso aponta para a esperança da ressurreição. Só Cristo pode
nos “despertar” para a vida eterna.

186. Nos dias de hoje ainda acontecem milagres?(p.109)
A Bíblia fala que após a ressurreição e ascensão de Jesus, os apóstolos realizaram
milagres em nome do Senhor. Em sua lista de dons concedidos à igreja
(1 Coríntios 12.9-11), o apóstolo Paulo cita que o dom de curar e o de realizar
milagres continuam sendo experimentados pelos cristãos.
Em nenhum lugar da Bíblia é dito que os milagres deixariam de acontecer
depois da era apostólica, pois, conforme Hebreus 13.8, “Jesus Cristo, ontem
e hoje, é o mesmo e o será para sempre”. Por isso pode-se afirmar que ainda
hoje acontecem curas e milagres feitos em nome de Jesus. Deus também
conta com o nosso serviço na realização dos milagres. Todavia, devemos ter
alguns cuidados, pois usar o nome de Jesus não significa necessariamente
estar ligado a ele.


 Extraído do  livro Nossa igreja nossa identidade
(manual de estudo)

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quarta-feira, 18 de abril de 2012

A Autoridade da Bíblia


   Falar da autoridade da Bíblia é pisar em terreno acidentado. Está coberto de pedras de tropeço, desníveis, buracos. Pode causar tombos. Pois o assunto é polêmico. Não que a autoridade da Bíblia seja questionada. Na cristandade, ou seja, no conjunto das Igrejas e das pessoas cristãs em todo o mundo, exerce a indiscutível função de Sagrada Escritura. Nisto há unanimidade. O dissenso aparece tão logo se pede explicação sobre o significado e as implicações dessa autoridade. As maneiras de entender variam. Não raro conflitam e produzem divisões. Exigem a discussão e a busca de consenso. 
Bíblias vendida na Editora Sinodal 
   A tarefa é impostergável. Pois a Bíblia esta sendo usada. Não pode haver moratória bíblica na cristandade. Cabe a Igreja de Jesus Cristo a responsabilidade para uso condizente desse livro e a resistência contra o abuso. A Bíblia é dom a ser administrado com o devido zelo. Para tanto importa conhecer a Bíblia e auscultar-lhe os propósitos. Em que consiste sua natureza sagrada? É ou não é a palavra de Deus? Como ler a Bíblia corretamente? A cristandade deve dar resposta e justificar seu discurso. 
  A Bíblia é um livro fantástico. Por isto, o objetivo último deste estudo não pode consistir na mera apresentação de uma visão panorâmica. A meta consiste na motivação para a leitura e a exploração da riqueza desse livro. A Bíblia não se satisfaz em ser simples objeto de estudo. Quer ser parceira ativa num processo de aprendizagem em que Deus e o mundo estão em jogo. É nosso desejo termos contribuído para tanto. 
Arquivo Editora Sinodal
    Antes da reforma do século XVI poucas foram às tentativas de traduzir a Bíblia para o vernáculo. Em teologia e culto prevalecia o latim como língua oficial e sagrada. Somente após a invenção da imprensa, no século XV, oportunizaria a “popularização”. Da mesma forma que ser superada certa resistência à educação do povo em assuntos religiosos por parte do clero. Consequentemente, a tradução da Bíblia por Martim Lutero significou um passo pragmático em direção a “educação popular”. O exemplo de Lutero inspirou imitadores em todos os países da Europa, e muito além deles.   
     Existe hoje um número relativamente alto de traduções portuguesas da Bíblia. A despeito de tantos textos à escolha, o esforço por atualização não deve parar, para que cada vez mais pessoas tenham acesso as Escrituras Sagradas, sonho esse potencializado em Martim Lutero.




A autoridade da Bíblia, 3ª edição de Gottfried Brakemeier,
p.5-11


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