quarta-feira, 17 de abril de 2013

Por que ser cristão?


Amor – doce ilusão
 
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 Amor é palavra gasta, abusada, ambígua. Uma enquete sobre o significado, feita há anos entre universitários, confirmou a polivalência. Identificou-se amor com sexo, amizade, paixão, simpatia. O que mais chamou atenção, porém, foi que bom número dos interrogados viu no amor nada mais do que uma ilusão. No seu entender, amor não existe. Pode-se esconder nessa resposta a amargura de uma grande decepção. Amor – uma linda ideia  um profundo anseio humano, um belo sonho. Infelizmente, porém, a realidade seria outra. Será verdade? Certo é que a procura por amor excede em muito a oferta. Amor é “produto” em falta no mercado. Isto é trágico. Pois sem amor o ser humano acaba rebaixado a monstro. O “déficit público” de amor deverá ser motivo de séria preocupação da sociedade.
http://www.imagenesdeamor.mx/recuerdos-de-amor/
   Mas, enfim, o que é amor? Na busca de uma definição, a língua grega oferece auxílio. Fala do amor com três termos distintos. O primeiro é eros, que designa o amor passional. Ambiciona possuir a pessoa ou o objeto amado. Arde e se inflama, literalmente se apaixona e se aproxima do delírio. As palavras “erotismo” e “erótico” são usadas também no português nesse sentido. A outra palavra é agape. Designa o amor que se doa, que se esvazia, que quer tudo para o outro e nada para si. Enquanto o eros tende a conquistar o que está acima, a agape se inclina ao que está em baixo a fim de acolher e socorrer. Esse é o termo absolutamente preferido pelo NT. Enfim, existe a palavra filia, conservada no português em compostos como “filosofia”, “filantropia”, “filatelia” e outros. É expressão para o amor amigo, para o gosto por alguma coisa e o tratamento correspondente que se lhe dá. O recurso ao grego, pois, revela a complexidade do fenômeno do amor e a extraordinária riqueza de seus aspectos. É bom tê-lo em mente.
http://girlzfaith.blogspot.com.br/
   É evidente que agape é o termo mais apropriado quando se trata do amor em perspectiva cristã. O Cristo que assume natureza humana e sacrifica sua vida na cruz (Filipenses 2.5-11) é o protótipo da pessoa que se entrega em favor de outros. Algo semelhante vale para o amor ao próximo. Não se trata de apaixonar-se por ele, e, sim, de ajudá-lo em todas as necessidades físicas, psíquicas e espirituais. Mesmo assim, recomenda-se não exagerar a contraposição dos três tipos. A “agape cristã” possui também elementos “eróticos”. Não deixa de querer “conquistar” seu semelhante e de forma alguma vai lhe negar a amizade, assim como o próprio Cristo chamou seus discípulos de amigos (João 15.14). Enfim, “filantropia” é atributo do próprio Deus (Tito 3.4). Há que se distinguir diferentes “amores”, sim, mas não reduzir o amor cristão a apenas um dos tipos.
A indiscutível predominância da agape no NT é significativa não obstante. Mostra que amor não permite ser limitado a uma questão de sentimentos. Em termos bíblicos amor é “benevolência”. É uma questão da vontade, portanto. Somente por isso pode ser conteúdo de um imperativo. Se amo o próximo ou não decide-se não por simpatia ou antipatia, e, sim, pelo que quero para a sua pessoa. Amar é querer bem. Será ilusão apregoar amor assim? 


Texto extraído do Livro Por que ser cristão? P.89
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quarta-feira, 10 de abril de 2013

Retratos - história de fé e vida

O apóstolo
da exortação 

   No palco da vida, há protagonistas e coadjuvantes. Alguns personagens sobressaem e alcançam fama. Outros, por motivos diversos, permanecem à sombra e são esquecidos pela história. Na igreja cristã não é diferente. No cristianismo primitivo, duas pessoas destacaram-se na missão: os apóstolos Pedro e Paulo. Mas pouco é lembrada uma pessoa que pode ser considerada responsável pelo “sucesso” de Paulo e, além disso, pela unidade da primeira igreja cristã: José, mais conhecido pelo cognome de Barnabé, o “filho da exortação”. 
José era um levita natural do Chipre, que vendeu sua casa em Jerusalém para juntar-se à primeira comunidade cristã da cidade (Atos 4.36s). Seu apelido deve provir dessa época. Talvez Barnabé tenha demonstrado o dom de consolar ou exortar seus colegas e irmãos, ajudando a construir a compreensão entre os jovens e entusiasmados adeptos da nova fé. 
  Exemplo disso é um episódio relacionado com o primeiro encontro entre o recém-convertido Paulo e os líderes da comunidade de Jerusalém (Atos 9.26ss). Nenhum membro da comunidade cristã gostava de Paulo por causa de seu passado como perseguidor dos cristãos. Barnabé foi o único que ousou apostar em Paulo; ele intermediou o primeiro diálogo entre Paulo e os apóstolos de Jerusalém.
  A capacidade de intermediar e promover o diálogo certamente foi também um dos motivos pelos quais Barnabé foi enviado para organizar uma comunidade recém-criada na cidade de Antioquia, na Síria (Atos 11.19ss). O texto bíblico não diz muito sobre a metodologia que Barnabé utilizava em sua tarefa de organizar e orientar a comunidade. Parece, no entanto, que teve relativo sucesso em Antioquia.
  O texto afirma, então, algo surpreendente: Barnabé foi buscar Paulo em Tarso. Não sabemos o que Paulo fazia em sua cidade natal. Estaria ele desiludido com a falta de receptividade por parte dos cristãos de Jerusalém, que queriam eliminá-lo? Teria ele desistido de anunciar o evangelho de Jesus Cristo? Não sabemos. Mas podemos imaginar que, se Paulo tivesse ficado em Tarso, sem ter sido desafiado por Barnabé a assumir uma nova tarefa, talvez não teríamos uma igreja cristã como a que temos hoje. 
  Barnabé tira Paulo de seu ostracismo e estimula-o a aceitar novos desafios. Paulo aceita e convive com Barnabé durante um ano inteiro em Antioquia. Os resultados foram surpreendentes. Houve muitas adesões à jovem comunidade. Seus membros foram chamados, pela primeira vez, de “cristãos” (Atos 11.26). Provavelmente, Barnabé também foi responsável pela coordenação da primeira viagem missionária que realizou com Paulo e que iniciou na ilha de Chipre, a terra natal de Barnabé. Talvez também João Marcos tenha sido motivado por Barnabé a participar da obra missionária e a acompanhar Paulo. 
  Por ocasião da segunda viagem missionária, Barnabé e Paulo separam-se por causa da rigidez de Paulo, que não quis dar uma segunda oportunidade a João Marcos. Nesse episódio, revela-se, mais uma vez, a postura de intermediação serena adotada pelo “filho da exortação”.
  A história posterior valorizou bem mais o legado de Paulo do que o de Barnabé. Não conhecemos a história posterior de Barnabé. Nos anos 56/57 ainda estava ativo, como se depreende de 1 Coríntios 9.5s. Bem mais tarde, foi considerado o apóstolo de Chipre. Dois escritos são atribuídos ao personagem: a Epístola de Barnabé (entre 80 e 120) e o Evangelho de Barnabé (século XIV). Curiosamente, esse último escrito foi influenciado por muçulmanos, o que revela o apreço com que o islã vê o apóstolo da intermediação, do estímulo e da exortação.



Texto extraído do Livro Retratos - exemplos de fé e vida, p.19 e 22
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quarta-feira, 3 de abril de 2013

Retratos - exemplo de fé e vida

Um sábio 
conselheiro
  Muitas pessoas tornaram-se importantes porque receberam estímulos decisivos de parentes e amigos e tiveram a grandeza suficiente para aceitar conselhos de outros. Isso também aconteceu com o mais importante líder do povo de Israel: Moisés. Estímulos decisivos para cumprir sua missão de libertar o povo do Egito e liderá-lo no caminho à terra prometida Moisés recebeu de sua esposa e de seu sogro.
   O início da relação entre Moisés e Jetro deu-se com um gesto de hospitalidade por parte deste. Êxodo 2.15-22 relata que, ao fugir do Egito para escapar das mãos do faraó, Moisés chegou a um poço na terra dos midianitas, uma região desértica ao norte da Península Arábica. Esse poço fornecia água para os rebanhos de cabras e ovelhas. Quando sete mulheres que queriam dar de beber a seu rebanho foram hostilizadas por outros pastores, Moisés defendeu-as e ajudou-as a dar de beber aos animais.
    Essas mulheres eram filhas do sacerdote midianita Jetro (também chamado de Reuel, que significa “amigo de Deus”). Como sacerdote esse tinha autoridade e influência entre seu povo. Ao ouvir de suas filhas que um egípcio as ajudara, Jetro oferece ao estrangeiro a hospitalidade de sua casa, o que incluía proteção e a possibilidade de viver como um membro da família. A convivência na família resultou no casamento de Moisés com uma das filhas de Jetro: Zípora.
    Durante essa sua estada, Moisés também teve seu encontro com Deus e foi chamado para retornar ao Egito e libertar os israelitas da escravidão. Com a mesma abertura com que havia aceito Moisés como membro de sua família, Jetro também aceita agora os motivos alegados pelo genro para sair de casa. Em nenhum momento ele acusa Moisés de ingratidão por abandonar a família depois de ter sido tão bem recebido nela. Pelo contrário, ele entende a situação e despede-o com uma bênção: “Vai-te em paz!” (Êxodo 4.18). Além de saber acolher bem, Jetro também sabe quando é hora de deixar partir.
   O reencontro entre genro e sogro dá-se somente após o êxodo de Israel do Egito.    Quando o povo estava no deserto, a caminho da terra prometida, Jetro vai ao encontro de Moisés e propicia o encontro da família (Êxodo 18.1-12). Depois de contar as novidades e celebrar o reencontro da família, Moisés volta às tarefas cotidianas de liderar um povo: “No dia seguinte, assentou-se Moisés para julgar o povo; e o povo estava de pé diante de Moisés desde a manhã até o por do sol” (Êxodo 18.13). Esse versículo mostra que o povo liberto ainda tinha problemas que precisavam ser resolvidos.
   Viver em sociedade traz problemas e conflitos. Há muitos casos jurídicos. Nem tudo é perfeito no povo de Deus. Moisés tem que resolver todos os problemas. Por isso ele fica o dia inteiro julgando, à luz da vontade divina, os casos que lhe são trazidos. Jetro inicialmente observa em silêncio o que acontece. No final do dia, ele faz uma pergunta ao genro: “Que é isso que fazes ao povo?” (Êxodo 18.14). Moisés tenta justificar seu comportamento: “O povo vem a mim consultar a Deus” (Êxodo 18.15).
  Apesar de discordar do método de Moisés, Jetro não critica o genro; ele mostra sua preocupação com o bem-estar dele e de todo o povo: “Não é bom o que fazes. Sem dúvida, desfalecerás, tanto tu como esse povo que está contigo. Pois isso é pesado demais para ti” (Êxodo 18.17-18).
   O sábio sacerdote observa que a centralização da autoridade e da responsabilidade em torno de uma pessoa é nociva tanto para o líder como para os que a ele recorrem. Uma pessoa que toma para si a responsabilidade de sozinha tentar resolver todos os problemas de seu grupo corre o risco de cometer erros até pelo cansaço. A longa espera nas filas de atendimento também cansa o povo, que precisa ficar de pé o dia inteiro sob o sol causticante.
   Depois de observar, ouvir e analisar a prática administrativa de Moisés, Jetro dá uma sugestão simples e prática: escolher dentre o povo pessoas honestas e capazes, instruí-las e prepará-las adequadamente e então dar a essas pessoas a responsabilidade de julgar os casos corriqueiros da vida do povo. Somente os casos mais complexos seriam levados a Moisés.
  Jetro sugere o que chamamos de descentralização do poder por meio da divisão de trabalho e de responsabilidades. São eleitos e preparados tantos “juízes” quantos necessários para o povo, cada qual com uma esfera de responsabilidade própria. Dessa forma, as decisões seriam mais rápidas, e o povo não precisaria esperar tanto tempo para ser atendido.
   Essa divisão de responsabilidades não diminui a autoridade de ninguém; ela aposta na capacidade das pessoas. Com sua sugestão Jetro introduz um sistema de governo participativo, em que antes existia uma estrutura centralizada de poder. Nesse sistema democrático, todos saem ganhando: “Se isso fizeres, poderás suportá-lo […]; e todo esse povo tornará em paz ao seu lugar” (Êxodo 18.23). Moisés acatou a sugestão do sogro, e tudo funcionou bem.
   A história termina com uma última lição de Jetro. Depois de prestar sua assessoria, ele não quer nenhum cargo de destaque, mas deixa que seu genro e o povo de Israel continuem crescendo, a seu modo, no caminho para a liberdade. Jetro volta à sua vida rotineira: “Então, Moisés se despediu de seu sogro, e esse se foi para a sua terra” (Êxodo 18.27). Depois de dar sua contribuição para o crescimento do povo de Israel, Jetro sai sem alarde de cena, somente com a sensação do dever cumprido.





Texto extraído do Livro Retratos - exemplos de fé e vida, p.19 e 22
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quarta-feira, 27 de março de 2013

Páscoa: a vitória da vida

Sinais da Páscoa

http://blog.cruzeirodosul.edu.br

Quando alguém me pergunta
sobre os sinais da Páscoa
em nosso mundo, não calo, mostro-lhe onde e quando acontece hoje o que começou naquele tempo,
quando a Páscoa teve seu início:      
   

http://bastapensarnavida.blogspot.com.br


Onde uma pessoa renova sua confiança
em outra pessoa
e juntas constroem uma ponte
para vencer o ódio e a inimizade,
ali você encontra sinais da Páscoa.
Onde uma pessoa não desiste no final,
mas ousa recomeçar para superar dor e luto,
ali você encontra sinais da Páscoa.



http://carmenarabela.wordpress.com
Onde a pessoa não silencia na escuridão,
mas cantarola a canção da esperança
para vencer o silêncio mortal,
ali você encontra sinais da Páscoa.
Onde a injustiça é denunciada
e a própria culpa assumida
para vencer a omissão,
ali você encontra sinais da Páscoa.
Onde uma pessoa ousa falar a verdade
para vencer a aparência e a mentira,
ali você encontra sinais da Páscoa.

Onde uma pessoa nada contra a correnteza
e carrega os fardos de uma pessoa desconhecida
para vencer necessidade e sofrimento,
ali você encontra sinais da Páscoa.
Onde alguém desperta e tira você da inércia
e descobre com você um caminho novo
para vencer grandes obstáculos,
ali você encontra sinais da Páscoa.




Texto extraído do Livro presente Páscoa,p 8 e 9
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quarta-feira, 20 de março de 2013

Celebrar Páscoa


Páscoa tem um significado especial para a família cristã. É tempo de intensa reflexão, louvor e renovação da esperança, da fé e do compromisso de testemunhar em favor dos valores do reino de Deus, presente e futuro.
É tempo de arrependimento, de recomeçar, de receber nova oportunidade para nos encontrar com Deus, conosco mesmos e com o próximo e a natureza. Esse recomeço tem como fundamento a ressurreição de Cristo e todas as implicações decorrentes, mesmo que não as compreendamos todas.






Celebrar a Páscoa é oportunidade de ouvir a boa-nova de Deus: Ele vive! A promessa da presença de Cristo é ânimo e alimento para que não desistamos de acreditar que vai chegar um dia em que a paz e o amor serão plenos na nossa vida e na vida de todas as pessoas a quem Deus quer bem.


Texto extraído do Livro Celebrar Páscoa em família e comunidade.

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http://www.editorasinodal.com.br/produto.php?id=42

quarta-feira, 13 de março de 2013

Revista NOVOLHAR


Nenhuma mulher está livre
por Sheila Rubia Lindner
   
http://www.elheraldo.hn
Neste exato momento em que estou escrevendo este texto, são 17h34min. Provavelmente, ao terminar a redação, terão passado muito mais do que dez minutos.
Você deve estar se perguntado o que as horas e os minutos têm a ver com a violência doméstica... Eu respondo:
– Tem tudo a ver!
Pois, a cada dez minutos, 25 mulheres são espancadas no Brasil. Faça uma conta simples; em uma hora, 150 mulheres são machucadas violentamente. É um número absurdo.
   Se pensarmos em números mais abrangentes, relatório organizado e publicado pela Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS) recentemente afirma que até 53% das mulheres da América Latina já sofreram algum tipo de violência, a maioria das vezes de seu cônjuge ou familiar. Até 82% dos casos incluíam ferimentos físicos, como ossos quebrados, abortos involuntários ou queimaduras. Mas o relatório aponta que entre 28% e 64% dessas mulheres não buscaram ajuda nem falaram com ninguém sobre o trauma, porque não sabiam a quem se dirigir.
   Apesar de muitas mulheres ainda não saberem a quem recorrer em casos assim, a realidade no Brasil vem mudando gradativamente. Somente no primeiro semestre de 2012, o Disque-Denúncia do Governo Federal prestou cerca de 390 mil atendimentos, quase 100 mil a mais do que no ano anterior.
http://www.brazilianvoice.com
Além do drama pessoal de cada agressão ou estupro, “a violência contra as mulheres também tem consequências intergeracionais: quando as mulheres experimentam violência, seus filhos também sofrem”, explicou a diretora da OPAS, Mirta Roses. As causas dos espancamentos são variadas e muitas vezes fúteis, mas predominam o ciúme e a não aceitação do fim do relacionamento. A violência doméstica também é responsável por uma em cada cinco faltas ao trabalho, segundo dados do Banco Mundial.
   Os atos de violência doméstica podem ser classificados em abuso físico, quando a agressão pode ir até a morte; abuso sexual, em que o ataque físico redunda muitas  vezes em violência sexual; pressão psicológica, que pode incluir ataques verbais constantes, possessão excessiva, isolamento da mulher de amigos e familiares; e privação de dinheiro, roupas, comida, além da destruição de sua propriedade privada.
   O Brasil foi o primeiro país do mundo a propor intervenções estatais, e a primeira Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) foi criada em São Paulo em 1985. Atualmente, as DDMs existem em todo o país e constituem-se em delegacias especiais para crimes contra a mulher.
http://72.10.34.173/archives/715
   Ao encontro disso vai a Lei Maria da Penha (Lei 11.340), que foi criada em 2006 e que aumenta o rigor das punições às agressões contra a mulher. Segundo a Wikipédia, “a lei alterou o Código Penal Brasileiro e possibilitou que agressores de mulheres no âmbito doméstico ou familiar sejam presos em flagrante ou tenham sua prisão preventiva decretada; esses agressores também não poderão mais ser punidos com penas alternativas. A legislação também aumenta o tempo máximo de detenção, previsto de um para três anos; a nova lei ainda prevê medidas que vão desde a saída do agressor do domicílio e a proibição de sua aproximação da mulher agredida”.
   Outro serviço muito importante é o Ligue 180, criado em 2005 pela Secretaria de Políticas para Mulheres e Parceiros, a Central de Atendimento à Mulher. O Ligue 180 é um serviço de utilidade pública que presta informações e orientações sobre os locais aos quais as mulheres podem recorrer caso sofram algum tipo de violência. O atendimento funciona 24 horas, todos os dias da semana, inclusive nos finais de semana e feriados.
   É importante lembrar que a violência doméstica não escolhe idade, raça ou estrato social. Nenhum tipo específico de mulher está mais ou menos sujeita a ser vítima de violência em sua casa por parte de seu parceiro, nem qualquer tipo de mulher está livre de não ser.

 Denuncie, é grátis e sigiloso: Ligue 180, atendimento à mulher


Artigo extraído da Revista NOVOLHAR
edição n.50,março/ abril, p. 36 e 37

Conheça a Revista: http://www.novolhar.com.br



quarta-feira, 6 de março de 2013

PENÚLTIMA PALAVRA


   A escravidão do século 21
por Flávia Durante


http://www.mamajuana.com.br
"Mulheres e homens precisavam ter a convicção de que não existe beleza perfeita. Toda beleza é imperfeitamente bela. Jamais deveria haver um padrão, pois toda beleza é exclusiva como um quadro de pintura, uma obra de arte." Augusto Cury

   Depois da revolução sexual, da busca por espaço no mercado de trabalho e da divisão entre vida pessoal e carreira, a mulher contemporânea enfrenta uma nova batalha: a ditadura da padronização da beleza.
   Em tempos de carnaval, galerias de fotos que mostram “gordurinhas”, celulite e rugas de famosas espalham-se como uma praga. Geralmente mostram essas características como se fossem aberrações. E a cobrança da mídia por um corpo perfeito, quase que de plástico, acaba virando uma arma de destruição psicológica feminina.
   Não são poucas as mulheres que sofrem de algum tipo de distúrbio em relação ao próprio corpo. A cada ano aumentam os nomes que vão fazendo parte de nosso vocabulário: bulimia, anorexia, compulsão alimentar, drunkorexia, vigorexia, ortorexia. E mulheres vão se submetendo a cirurgias plásticas cada vez mais jovens. Dados da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP) provam que, do total de cirurgias plásticas estéticas realizadas no Brasil entre 2007 e 2008, 13% foram feitas em adolescentes com idade entre 12 e 18 anos.
http://discoverymulher.uol.com.br
   O psiquiatra Augusto Cury, autor do livro “A Ditadura da Beleza e a Revolução das Mulheres”, cunhou essa busca de Síndrome PBI, o Padrão de Beleza Inatingível. Ele aponta diversos culpados por esse fenômeno: a indústria da moda e de cosméticos, as revistas e seus anunciantes. “Essa ditadura assassina a autoestima, asfixia o prazer de viver, produz uma guerra com o espelho e gera uma autorrejeição profunda. (...) uma pessoa satisfeita, bem-humorada, feliz, tranquila não é consumista, consome de maneira inteligente, não precisa viver a paranoia de trocar continuamente de celular, de carro, de roupas, de sapatos”, diz o autor.
   A padronização da beleza acabou virando a forma de escravidão e submissão do século 21. A mais nova insanidade na busca pelo corpo perfeito é a “barriga negativa”. Não basta ser magra, temos também que ter o abdômen com a curvatura invertida. Uma tendência que, quando apareceu no ano passado, foi considerada assustadora por muitos.
http://mdemulher.abril.com.br
   Essa imposição de padrões virou uma questão não apenas feminina. A glamourização da “barriga tanquinho” e do “metrossexual” prova que a escritora norte-americana Naomi Wolf estava certa em seu famoso livro “O Mito da Beleza”, de 1991: “A próxima será a vez deles”. “Alguns psiquiatras estão prevendo um aumento nas estatísticas masculinas de distúrbios da alimentação. Começaram a surgir imagens que dizem aos homens heterossexuais as mesmas meias-verdades tradicionalmente transmitidas às mulheres heterossexuais a respeito dos homens”, escreveu a escritora em sua obra.
   Os homens brasileiros sentiram isso na pele após a campanha de uma marca de lâminas de barbear que categorizava como repulsivos e não atraentes os corpos masculinos com pelos no peito. A propaganda foi considerada de mau gosto, a empresa recebeu milhares de protestos e a campanha foi retirada do ar. Mas nós mulheres não podemos ficar felizes porque os homens finalmente passaram pelo tratamento que recebemos da mídia há anos. Como também disse Naomi Wolf: “Se eles caírem nessa armadilha e ficarem presos, isso não será uma vitória para as mulheres. Na realidade, ninguém sairá ganhando”.
   Não vai tardar o dia em que agiremos como o Dorian Gray de Oscar Wilde: venderemos nossa alma  em troca de beleza e juventude eternas. Para que tudo não caminhe para esse lado, precisamos rejeitar qualquer padrão imposto e mostrar que cada um de nós tem a sua beleza. A imperfeição só nos faz mais humanos e não seres de plástico.




Artigo extraído da Revista NOVOLHAR,edição n.50,março/ abril, p. 42